O varejo brasileiro perdeu R$ 34,9 bilhões em 2023 por causa de falhas no controle de estoque, o valor representa um prejuízo 10% maior do que o registrado no ano anterior, segundo a 7ª Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro. Quebras operacionais respondem por 42,93% dessas perdas, enquanto erros de inventário causam 9,46%.
O problema não é somente brasileiro: dados da IHL Group mostram que varejistas perdem US$ 1,75 trilhão em vendas anuais no mundo inteiro devido a problemas de estoque. No Brasil, apenas o chamado “estoque fantasma”, quando a quantidade no sistema não bate com o que existe fisicamente, custou R$ 21 bilhões às empresas em 2023, conforme levantamento da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil.
“Uma boa gestão de suprimentos vai muito além de evitar a falta ou o excesso de materiais”, alerta o especialista em gestão industrial e diretor da Nomus Thiago Leão. “Quando bem feita, ela reduz custos, melhora o fluxo de caixa, organiza a produção e ainda abre espaço para decisões mais estratégicas, baseadas em indicadores de desempenho reais e atualizados.”
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Automação corta até 70% dos erros
Uma pesquisa da Deloitte mostra que sistemas automatizados reduzem erros manuais em até 70%. Para empresas que ainda não investiram em automação, a implementação da melhor planilha de controle de estoque serve como primeiro passo antes da migração para sistemas mais complexos.
Outro estudo, realizado pela McKinsey & Company, revela que Internet das Coisas (IoT) e Radio-Frequency Identification (RFID), uma tecnologia para identificar e rastrear automaticamente etiquetas eletrônicas, elevam a precisão do inventário para 90%.
As soluções mais avançadas usam Inteligência Artificial para cruzar dados de vendas, rupturas e consumo, ferramentas que oferecem 70% de precisão na previsão de demanda já entre o segundo e terceiro mês de uso.
A ruptura de estoque pode cair 35% no oitavo mês de implementação, segundo os dados analisados. Empresas que antes enfrentavam desabastecimento conseguem estabilizar suas operações em menos de um ano.
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Método ABC indica onde investir
Já a Curva ABC é usada por gestores para organizar prioridades de investimento. O método funciona como um raio-X do negócio: os itens A representam 20% do catálogo, mas geram 80% do faturamento. Os produtos B ficam numa posição intermediária: 30% do estoque para 15% das vendas. Já os itens C revelam o paradoxo dos números: metade de todos os produtos para apenas 5% da receita.
Um estudo publicado na Revista de Gestão e Secretariado demonstra como uma empresa otimizou sua gestão após implementar a Curva ABC. Cantoneiras e chapas, classificadas como itens A, passaram a receber tratamento prioritário por representarem 64,89% do valor total movimentado.
Para implementar esse controle com eficiência, gestores podem usar metodologias estruturadas de como montar indicadores de desempenho que permitam monitorar os resultados das ações implementadas.
A classificação permite focar recursos onde realmente importa. Segundo os estudos de caso, empresas que aplicam esse método conseguem reduzir o tempo dedicado a produtos de baixo giro e concentrar esforços nos itens que garantem maior retorno financeiro.
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Casos práticos confirmam economia
Os benefícios aparecem em empresas de todos os portes. Uma rede regional conseguiu reduzir a ruptura de estoque em 32% e aumentar a rentabilidade por metro linear de gôndola em 15%. Já uma rede nacional cortou o ciclo de reposição em 48 horas ao se conectar com fornecedores através de plataformas integradas, conforme a publicação.
O sistema Just in Time (JIT) também tem resultado na redução de custos. A estratégia pode gerar economia de até 38% ao fazer do fornecedor o estoque da empresa, segundo dados da Revista de Gestão e Secretariado. Isso combate a obsolescência de produtos armazenados e libera capital de giro para outras operações.
A implementação de sistemas ERP mais modernos é outra ação necessária. O estudo de caso documentado na revista relata que a implantação do SAP em uma empresa reduziu itens inertes, exterminou requisições em duplicidade e melhorou a eficiência em 84,6%. O sistema integrou compras, vendas e estoque numa única plataforma, eliminando inconsistências entre departamentos.
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CEOs colocam gestão de custos como prioridade
Levantamento da BCG’s Guide to Cost and Growth revela que a redução de custos é prioridade número 1 para 33% dos CEOs entrevistados. A otimização da cadeia de suprimentos aparece entre as principais estratégias adotadas.
Os dados mostram que 86% dos CEOs planejam investir em Inteligência Artificial e análises avançadas em 2025. Eles reconhecem o potencial dessas tecnologias para aprimorar a eficiência operacional e ganhar vantagem competitiva num mercado cada vez mais disputado.
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Fonte: Assessoria







