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Empregos verdes: o Brasil na rota da economia de baixo carbono

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À medida que o Brasil avança na transição para uma economia de baixo carbono, um novo relatório do Unicef destaca um dado relevante: cerca de 2 milhões de adolescentes e jovens entre 14 e 29 anos já estão inseridos no mercado de empregos verdes. O número representa 30% da força de trabalho nesse setor, que vem crescendo em todo o país.

O estudo, intitulado “Habilidades e empregos verdes para adolescentes e jovens no Brasil”, foi lançado pelo Unicef por meio da iniciativa 1 Milhão de Oportunidades (1MiO), em parceria com a consultoria internacional Plan Eval. Segundo os dados, o Brasil já conta com aproximadamente 6,8 milhões de empregos verdes, o equivalente a 9% dos vínculos formais de trabalho.

Essas ocupações incluem atividades como reciclagem, energias renováveis, agroecologia, saneamento básico e gestão de resíduos — todas diretamente ligadas à preservação ambiental e à construção de uma economia mais sustentável.

O que são empregos verdes?

Empregos verdes são definidos como aqueles que contribuem para a proteção, recuperação ou aprimoramento do meio ambiente. Isso inclui desde o uso eficiente de recursos naturais até a promoção de práticas que reduzem as emissões de carbono. Esses postos de trabalho são fundamentais para impulsionar a economia verde e garantir que o desenvolvimento econômico ocorra em equilíbrio com a sustentabilidade ambiental.

Para Mônica Pinto, chefe de Educação do Unicef no Brasil, “é preciso educar crianças, adolescentes e jovens para promover e viver uma vida sustentável, e isso inclui a participação na economia verde”.

Barreiras ao acesso e desigualdades

Apesar do avanço, o relatório revela importantes desafios. Um dos principais é o acesso desigual à formação técnica na área ambiental. Grande parte dos cursos está concentrada em capitais ou grandes centros urbanos, dificultando a inclusão de jovens de regiões periféricas ou cidades do interior.

A desigualdade de gênero também é um ponto de atenção: as mulheres representam apenas 39,5% das ocupações verdes, enquanto os homens ocupam 60,5%. Embora a diferença seja menor entre os mais jovens, ainda reflete barreiras estruturais de acesso ao mercado.

Outros obstáculos citados incluem a exclusão digital, a mobilidade urbana precária e a discriminação racial. “Está claro que os adolescentes e jovens querem acessar empregos sustentáveis e dignos, mas têm dificuldade de se capacitar e se candidatar”, afirma Pinto. “Isso é ainda mais desafiador para quem não tem experiência, vive em cidades pequenas ou está em situação de vulnerabilidade.”

Empregos verdes e justiça intergeracional

Além de oportunidades econômicas, a expansão do setor verde também é uma questão de justiça climática. De acordo com Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef, os jovens são os mais impactados pelas mudanças climáticas e, portanto, devem estar no centro das soluções.

“Como são os que mais sofrem com a crise climática, é um princípio de justiça intergeracional que as crianças, adolescentes e jovens se beneficiem das soluções pensadas para essa crise”, destaca.

Caminhos recomendados para o futuro

Para ampliar o acesso da juventude ao mercado verde, o relatório propõe recomendações para governos, empresas e instituições educacionais, como:

  • Expandir a oferta de educação técnica e profissional voltada à sustentabilidade;
  • Implementar políticas afirmativas para contratação e formação de jovens em situação de vulnerabilidade;
  • Investir em conectividade e mobilidade para facilitar o acesso aos cursos e oportunidades;
  • Criar programas de mentoria e orientação profissional no setor verde.

Capitais com maior presença de empregos verdes

Entre as capitais com maior percentual de empregos verdes em relação ao total de vínculos formais estão Cuiabá (MT), Florianópolis (SC) e Rio Branco (AC), com cerca de 20% das vagas classificadas como sustentáveis.

O levantamento utilizou dados de 2022 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), identificando 69 categorias profissionais relacionadas à economia circular, eficiência energética, controle ambiental e baixa emissão de carbono.


Fonte: Exame

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