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Bauducco aposta no “sabor chocolate” em novos Chocottones

Crédito: Matheus Almeida/IstoÉ

A temporada de lançamentos da linha Chocottone da Bauducco chegou trazendo uma novidade que chamou atenção: parte dos produtos está sendo fabricada sem chocolate na composição. Em vez disso, as embalagens destacam o uso de gotas e cobertura “sabor chocolate”, como é o caso das versões Pistache e Fini Dentaduras.

O que significa “sabor chocolate”?

A designação indica que o produto utiliza aditivos ou aromatizantes para reproduzir o gosto característico do chocolate, mas não possui a quantidade mínima de sólidos de cacau exigida por lei.
Segundo a Resolução 723/2022 da Anvisa, só pode ser chamado de chocolate o doce que contenha ao menos 25% de cacau. No caso do chocolate branco, é necessário ter 20% de sólidos de manteiga de cacau.

Na prática, o “sabor chocolate” costuma incluir substituições como manteiga de cacau trocada por gorduras vegetais mais baratas (ex.: soja), uso de açúcar em maior proporção e cacau em pó no lugar dos nibs de cacau. Além disso, há inovações tecnológicas, como o Cocoa Extender, desenvolvido pela IFF, que promete reduzir em até 35% a dependência da indústria pelo cacau.

O posicionamento da Bauducco

A empresa afirma que a receita original do Chocottone tradicional continua sendo produzida com chocolate. Já as versões especiais seguem formulações próprias e consolidadas no mercado, com alta aceitação entre os consumidores. Segundo a Bauducco, um estudo mostrou que a substituição alcançou 99% de aprovação comparativa entre consumidores habituais.

Tendência de mercado

A decisão da Bauducco não é isolada. Outras marcas também vêm utilizando “sabor chocolate” em panetones e confeitos, impulsionadas principalmente pela escalada nos preços do cacau, que atingiu recordes em 2024, chegando a US$ 13 mil por tonelada.

Ou seja, mais do que uma estratégia de produto, essa mudança reflete um movimento mais amplo da indústria para lidar com os custos crescentes da matéria-prima e, ao mesmo tempo, manter preços competitivos para o consumidor final.



Fonte: IstoÉ Dinheiro

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