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Um fungo da Amazônia que come plástico: o que a ciência está descobrindo

divulgação planeta pós-pandemia

Cientistas da Universidade de Yale identificaram, na floresta amazônica equatoriana, fungos capazes de degradar um dos plásticos mais persistentes no ambiente: o poliuretano. Entre os 59 tipos testados, 18 apresentaram essa habilidade, mas duas cepas de Pestalotiopsis microspora chamaram a atenção por algo inédito — conseguem decompor o plástico até mesmo em ambientes sem oxigênio, como aterros sanitários.

Esse potencial está ligado à ação de enzimas conhecidas como serina-hidrolases, que funcionam como “tesouras biológicas”, cortando as ligações do polímero em moléculas menores. Em laboratório, o fungo foi capaz de utilizar o poliuretano como única fonte de carbono, degradando completamente o material em placas de cultura.

A descoberta tem implicações promissoras para projetos de biorremediação — soluções que usam organismos vivos para tratar ambientes contaminados — especialmente em locais onde a decomposição natural do plástico é praticamente nula.

Ainda que os resultados sejam animadores, os pesquisadores alertam que são necessários novos estudos em escala industrial para verificar a segurança e a eficácia desse processo fora de condições controladas. Mesmo assim, o achado reforça um ponto crucial: a biodiversidade das florestas tropicais pode guardar respostas para desafios globais, como o combate à poluição plástica.

Investir em pesquisa e conservação ambiental pode ser o primeiro passo para transformar descobertas como essa em soluções práticas. A natureza pode estar mais próxima da inovação do que imaginamos.


Fonte: Planeta pós-pandemia

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