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Recorde de exportações de café reforça protagonismo do Brasil

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O Brasil alcançou um marco histórico na safra 2024/25 com a exportação de café, atingindo uma receita recorde de US$ 14,7 bilhões, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O resultado representa um crescimento expressivo de 49,5% em relação ao recorde anterior, obtido no ciclo 2023/24, e evidencia o impacto da valorização internacional do produto, impulsionada por fatores climáticos e geopolíticos.

A elevação nos preços da commodity, sobretudo no segundo semestre de 2024, foi determinante para o desempenho financeiro. Eventos climáticos adversos nos principais países produtores — como Vietnã, Colômbia e Indonésia, além do próprio Brasil — afetaram a produtividade global, contribuindo para a valorização do café brasileiro. Apesar de uma leve retração no volume exportado (3,9% inferior ao ciclo anterior), a performance financeira foi robusta, refletindo o aumento dos preços internacionais.

Durante a safra 2024/25, o Brasil exportou 45,6 milhões de sacas de 60 kg, o que representa o terceiro maior volume da história. Os principais destinos foram: Estados Unidos (7,47 milhões de sacas, ou 16,4% do total), Alemanha (6,53 milhões, ou 14,3%), além de Itália, Bélgica e Japão. Mesmo diante de desafios logísticos, como a infraestrutura portuária deficiente e a crescente exigência de conformidade socioambiental no comércio global, as exportações mantiveram sua força. A Europa, por exemplo, recebeu mais de 23 milhões de sacas, o que reforça a confiança do continente nos padrões sustentáveis do café brasileiro.

O café arábica seguiu como o tipo mais exportado, com 34,8 milhões de sacas, equivalente a 76,4% do total. Já o café canéfora (conilon + robusta) respondeu por 14,4%, com 6,57 milhões de sacas. O segmento de café solúvel registrou crescimento de 12,6%, totalizando 4,15 milhões de sacas. O produto torrado e moído também avançou, com aumento de 21,3%.

Os cafés diferenciados — aqueles certificados por práticas sustentáveis ou com qualidade superior — representaram 19,5% do volume total exportado, com 8,9 milhões de sacas. A receita gerada por esse segmento atingiu US$ 3,29 bilhões, valor 63,2% superior ao ciclo anterior. Os principais compradores foram Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Países Baixos e Itália. Esse desempenho ressalta a importância estratégica de investir em rastreabilidade, qualidade e certificações, especialmente em um cenário global de mudanças regulatórias voltadas à sustentabilidade.

O Porto de Santos concentrou a maior parte dos embarques, com 72,6% do total exportado, seguido pelos portos do Rio de Janeiro (22,7%) e Vitória (0,8%). Mesmo com limitações operacionais e custos adicionais com armazenagem e sobre-estadia, a cadeia logística conseguiu responder à demanda internacional, mantendo o Brasil como o principal player global do setor.

Esse desempenho histórico confirma a relevância do Brasil no cenário internacional do café — não apenas em termos de volume, mas também de qualidade, responsabilidade socioambiental e geração de divisas. O IFB seguirá acompanhando e analisando os impactos desse movimento para o setor de foodservice, especialmente no que diz respeito ao consumo, às tendências sustentáveis e às oportunidades para o mercado interno.



Fonte: Conexão Safra

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