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Entidades pedem reativação do sistema de rastreamento para destilados

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A recente crise sanitária provocada por casos de contaminação de bebidas com metanol reacendeu o debate sobre controle e segurança na comercialização de destilados no Brasil. Diante da gravidade da situação, a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) e a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) divulgaram uma nota conjunta solicitando a retomada do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) — desativado em 2016.

Criado em 2008 pela Receita Federal, o Sicobe tinha como objetivo monitorar a produção de bebidas, combater a sonegação fiscal e reduzir a adulteração de produtos alcoólicos. Para as entidades, sua desativação abriu espaço para práticas ilícitas e fragilizou a fiscalização do setor.

“A ausência de um controle efetivo, como o do Sicobe, facilita a ação do crime organizado e coloca em risco a vida dos cidadãos, além de ameaçar empregos e o sustento de milhares de trabalhadores do setor”, afirmam Fhoresp e ABCF na nota.

Os efeitos da crise já são sentidos no setor de Alimentação Fora do Lar, especialmente em bares e restaurantes. Segundo a Fhoresp, o consumo de destilados caiu 50% em São Paulo na última semana, refletindo a perda de confiança do consumidor. O movimento em casas noturnas e bares também teve retração de cerca de 30% no mesmo período. Dados da ABCF mostram que a falsificação de destilados cresceu 25,8% entre 2023 e 2024, e que até 36% das bebidas comercializadas podem apresentar algum tipo de irregularidade.

O diretor-executivo da Fhoresp, Edson Pinto, defende ações urgentes para reforçar o rastreamento de bebidas e garantir a segurança do consumidor. Para ele, o momento exige medidas imediatas:

“Estamos numa emergência sanitária e agindo no escuro. O Brasil precisa retomar o sistema de verificação da produção desde a origem para fechar o cerco contra as falsificações.”

Além da preocupação com a segurança, o debate também trouxe à tona a questão da logística reversa dos vasilhames de vidro. O diretor de Comunicação da ABCF, Rodolpho Ramazzini, lembrou que o país já possui regulamentações sobre o tema e que novas exigências podem gerar custos adicionais para os estabelecimentos. Segundo ele, a maioria dos frascos já retorna à indústria, o que contribui para a economia circular e reduz o impacto ambiental.

A proposta de reativação do Sicobe é vista pelas entidades como um passo essencial para proteger tanto o consumidor quanto o mercado formal de bebidas. Para o setor de bares e restaurantes, trata-se não apenas de uma questão de segurança, mas também de preservação da confiança e da competitividade no segmento.


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Fonte: Terra

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