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Nestlé deixa aliança global para redução de metano no setor leiteiro

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A Nestlé anunciou sua saída da Dairy Methane Action Alliance, iniciativa internacional criada para reduzir as emissões de metano na cadeia de produção de laticínios. A decisão surpreende, especialmente em um momento em que o setor alimentício intensifica seus compromissos com a sustentabilidade.

O metano é um dos gases de efeito estufa mais potentes — com um impacto de aquecimento quase 30 vezes superior ao do dióxido de carbono. Por isso, a redução dessas emissões é vista como prioridade para alcançar metas climáticas globais.

Apesar da retirada, a Nestlé reafirmou seu compromisso com a agenda ambiental. Segundo a empresa, a decisão faz parte de uma “revisão regular de parcerias externas” e não altera suas metas de longo prazo: a companhia mantém o objetivo de zerar suas emissões líquidas até 2050.
Em comunicado, destacou ainda uma redução de 21% nas emissões de metano até o fim de 2024 em comparação aos níveis de 2018.

A saída reflete um movimento observado em outras corporações que vêm reavaliando sua participação em coalizões ambientais diante de mudanças econômicas e políticas no cenário global. Nos Estados Unidos, por exemplo, o enfraquecimento de políticas climáticas federais tem levado empresas a adotar estratégias mais independentes de sustentabilidade.

Mesmo com o desligamento da aliança, a Nestlé anunciou uma nova parceria com a Organização Mundial dos Agricultores (OMA) para fortalecer a resiliência dos sistemas alimentares frente às mudanças climáticas — um marco por se tratar da primeira colaboração entre uma grande empresa de alimentos e a maior associação global de agricultores.

A Environmental Defense Fund (EDF), que lidera a Dairy Methane Alliance, lembrou que a agricultura responde por cerca de 40% das emissões globais de metano de origem humana, com destaque para a pecuária. A organização reconheceu os esforços da Nestlé por meio de seu Plano Climático para Laticínios e Roteiro Net Zero.

“Agradecemos o compromisso contínuo da Nestlé em agir sobre as emissões de laticínios”, declarou Katie Anderson, diretora sênior da EDF, à Reuters.


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Fonte: Food Bev

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