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Como celebridades moldam hábitos alimentares e tendências de saúde no Brasil

Nutricionista Juliana Aparecida Reich alerta sobre os riscos de seguir dietas de artistas sem orientação profissional

Nos últimos anos, celebridades e influenciadores têm exercido uma influência crescente sobre a forma como as pessoas se alimentam. Dietas divulgadas em entrevistas, documentários, livros e redes sociais acabam moldando o comportamento alimentar de milhões — muitas vezes sem o suporte técnico necessário.

De desafios de “30 dias de alimentação perfeita” a protocolos como detox, jejum intermitente ou low carb, a popularização desses métodos acontece em velocidade viral. O fenômeno, embora não seja novo, ganhou força com a ascensão das redes sociais e a busca constante por resultados rápidos e transformações visíveis.

Segundo especialistas, essa tendência tem dois lados: pode despertar o interesse por bem-estar e autocuidado, mas também cria riscos quando práticas são reproduzidas sem acompanhamento.

A nutricionista Juliana Aparecida Reich, que atua no atendimento clínico individualizado e possui pós-graduação em Nutrição Oncológica, observa o aumento da procura por dietas inspiradas em celebridades. “É comum receber pacientes que chegam com planos copiados de artistas, acreditando que terão os mesmos resultados. Mas cada corpo tem suas particularidades — histórico clínico, rotina, preferências, necessidades. Dieta não é receita pronta”, explica.

Juliana lembra ainda que, por trás de muitos desses exemplos públicos, existe uma estrutura que nem sempre é visível. “Celebridades têm acesso a equipes completas — médicos, nutricionistas, personal trainers, chefs — o que torna inviável replicar suas rotinas de forma autônoma. Quando alguém tenta seguir sozinho, o risco de frustração e até de prejuízos à saúde é alto”, destaca.

Em sua prática clínica, Juliana trabalha com planos nutricionais personalizados, voltados à promoção da saúde e ao bem-estar. Na área de Nutrição Oncológica, por exemplo, a personalização é ainda mais essencial, considerando as demandas específicas de cada paciente.

Apesar dos riscos, a profissional reconhece o papel positivo que a exposição midiática pode ter: “A popularização do tema desperta curiosidade e aproxima as pessoas do cuidado com a alimentação. O importante é transformar esse interesse em práticas seguras e sustentáveis.”

Para ela, o ponto central está na educação nutricional. “A influência das celebridades pode ser positiva se vier acompanhada de informação de qualidade. Quando usada de forma responsável, essa visibilidade pode ajudar a promover hábitos mais saudáveis e conscientes.”


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Fonte: Jornal da Brasília

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