Em Cacoal (RO), onde mais de 160 famílias indígenas cultivam café de alta qualidade e promovem o desenvolvimento sustentável na Amazônia, um projeto do Grupo 3 Corações vem fortalecendo o protagonismo dos povos originários no universo do café. A Copa Rituais Baristas Tribos, parte do Projeto Tribos de Rituais 85+, promove a formação técnica de jovens indígenas e mostra que o futuro do café na região pode ser tão promissor quanto saboroso.
A primeira edição do programa reuniu 30 jovens indígenas em uma imersão conduzida pela especialista em cafés Carolina Barreto, gerente de Treinamento, Operações e Experiência de Consumo do grupo, pela barista Karine Sousa e pela agrônoma Poliana Perrut, líder local do Projeto Tribos.
Durante a capacitação, os participantes aprenderam sobre todo o processo do café — da planta à xícara — incluindo história, classificação de qualidade, técnicas de preparo e degustação. Cada participante recebeu ainda um kit profissional com utensílios e equipamentos para seguir praticando e se aperfeiçoando.
“É uma verdadeira imersão no universo do café. Essa formação estimula os novos baristas a expandirem seus conhecimentos e criarem novas experiências de preparo”, destaca Carolina Barreto.
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Inspiração e protagonismo
A iniciativa tem como inspiração Celesty Suruí, de 23 anos, da Aldeia Lapetanha, em Cacoal, considerada a primeira barista indígena do Brasil. Sua trajetória com o café e sua representatividade cultural abriram caminho para que outros jovens também possam seguir a mesma trilha.
Segundo Patrícia Carvalho, líder do Projeto Tribos, essa formação representa muito mais do que uma capacitação técnica:
“Os jovens querem conhecer o café na xícara e se desenvolver como baristas. Essa profissionalização gera renda, fortalece a sucessão familiar e valoriza a cultura dentro das aldeias. É só o começo de uma jornada de grandes conquistas.”
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A primeira Copa Rituais Baristas Tribos
A jornada de aprendizado continua até dezembro, quando acontece a grande final da Copa Rituais Baristas Tribos. Quatro finalistas subirão ao mesmo palco do Concurso Tribos, que premia os melhores cafés indígenas do Brasil, unindo assim os dois lados da cadeia — o cultivo e o preparo.
Os dois primeiros colocados receberão troféu, premiação em dinheiro e uma viagem de imersão a São Paulo, onde participarão de um treinamento avançado e conhecerão o mercado nacional de cafeterias.
“A Copa reafirma o protagonismo indígena dentro do projeto e terá novas edições no próximo ano”, completa Patrícia.
A iniciativa reforça como a formação técnica e o respeito à origem podem caminhar juntos, fortalecendo o papel das comunidades indígenas na cadeia do café e inspirando novos capítulos para o setor.
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Fonte: Revista Cafeicultura







