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IA já representa 45% do resultado operacional do iFood

São Paulo, outubro de 2025 — A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser um experimento dentro do iFood e passou a se tornar um pilar estratégico da operação. Segundo o CEO da companhia, Diego Barreto, a tecnologia já responde por 30% do Ebitda — percentual que pode chegar a 45% nos próximos meses, conforme o avanço dos sistemas internos de automação e aprendizado de máquina.

A declaração foi feita durante o Bloomberg Línea Summit 2025, em São Paulo, durante o painel “IA que Impulsiona os Negócios”. Barreto destacou que a IA hoje permeia todas as áreas da empresa, transformando processos logísticos, de marketing e de atendimento em estruturas autogeridas e preditivas.

“Nossa logística já não tem intervenção humana para definir rotas ou otimização. Tudo é conduzido por um algoritmo proprietário”, afirmou o CEO.

A transformação começou em 2020, com o uso de IA para segmentação de usuários, aquisição de clientes e definição de perfis de consumo. Hoje, o atendimento automatizado cobre 90% das interações, distribuídas entre três agentes inteligentes: um voltado ao consumidor, outro aos restaurantes e um terceiro que coordena a operação em tempo real — o que Barreto descreve como um verdadeiro “maestro digital”.

IA como motor de eficiência

De acordo com o executivo, o uso de algoritmos inteligentes aumentou a eficiência da operação, especialmente durante os picos de pedidos, como almoço e jantar.

“É como um estádio com 45 mil pessoas saindo para comprar água ao mesmo tempo. Somente a IA consegue orquestrar isso com eficiência e escala”, comparou Barreto.

A empresa também investiu na criação de uma plataforma interna que permite aos colaboradores desenvolver agentes de IA sem necessidade de programação, democratizando o uso da tecnologia. Já foram criados mais de 900 agentes de forma descentralizada, e a meta é que cada funcionário desenvolva ao menos um até março de 2026.

Transformação cultural e aprendizado contínuo

O iFood estruturou sua transformação digital em três etapas de 18 meses:

  1. Engajamento da liderança e comunicação intensa sobre a importância da IA;
  2. Primeiros resultados tangíveis, que validam o valor da tecnologia internamente;
  3. Integração do uso da IA como métrica de alta performance entre colaboradores.

Barreto enfatizou que o desafio da mudança está ligado ao comportamento humano:

“A partir dos 35 anos, nossa plasticidade cerebral diminui. Mudar é difícil — por isso, é essencial integrar a IA de forma natural ao dia a dia.”

O CEO também comparou a transição tecnológica à adoção do pacote Office nas empresas há duas décadas: no início, uma novidade; depois, uma ferramenta essencial de produtividade.

“A IA deixou de ser uma meta e passou a ser parte da operação. Ela está tão incorporada quanto o Excel ou o e-mail”, concluiu Barreto.

Com resultados expressivos e uma cultura voltada à inovação, o iFood reforça seu papel como um dos principais cases de transformação digital no foodservice global, mostrando como o uso estratégico da IA redefine eficiência, experiência do cliente e competitividade.

Fonte: bloomberglinea

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