A chegada da Keeta, app de delivery da gigante chinesa Meituan, à Baixada Santista já enfrenta sua primeira crise. Menos de uma semana após o início das operações em Santos e São Vicente, entregadores organizaram uma paralisação neste sábado (8) para protestar contra as condições de trabalho e o modelo de remuneração da plataforma.
O movimento envolve mais de 300 entregadores, que ameaçam suspender as atividades e pressionam a empresa por mudanças nas taxas, bônus e regras de bloqueio.
Reunião não resolve insatisfação dos entregadores
De acordo com representantes da categoria, uma reunião realizada com executivos da Keeta nesta semana aumentou o descontentamento.
Segundo os trabalhadores, a empresa focou apenas em problemas técnicos do aplicativo, como:
- falhas de GPS
- alto consumo de bateria
- travamentos e lentidão
Os entregadores esperavam discutir principalmente valores de corrida, bônus e condições de trabalho, mas afirmam que esses pontos centrais foram evitados pela companhia.
Principais reclamações contra a plataforma
Entre as queixas relatadas pelos entregadores que atuam na Baixada Santista estão:
- Bloqueio automático de 30 minutos após a recusa de três corridas
- Descontos em casos de devolução de pedidos cancelados
- Pressão para permanecer conectado em turnos fixos, sem pagamento por tempo logado
- Modelo de incentivos baseado apenas em número de pedidos, não em horas online
Segundo a categoria, essas penalidades e exigências são mais rígidas do que as praticadas por outras plataformas concorrentes, como iFood e Rappi.
Histórico da Meituan e atenção do Cade
A Keeta chega ao Brasil com um histórico de controvérsias da controladora Meituan em outros mercados. A empresa já foi:
- multada na China por práticas anticoncorrenciais, em valor equivalente a R$ 2,6 bilhões
- alvo de acusações trabalhistas em Hong Kong
- pressionada por uma forte queda de lucro global, que chegou a despencar 97% em determinado período
No Brasil, a Meituan anunciou um plano de investimento de R$ 5,6 bilhões para disputar espaço no mercado de delivery.
Diante da entrada agressiva da nova player, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu monitorar de perto as operações da Keeta, em conjunto com outros aplicativos do setor, para avaliar impactos concorrenciais e possíveis práticas desleais.
O que diz a Keeta
Em nota, a Keeta informou que, no projeto-piloto em Santos e São Vicente, iniciado em 30 de outubro:
- a taxa mínima é de R$ 7,50 por entrega para motociclistas
- R$ 7,00 para ciclistas
- os incentivos são baseados em pedidos, e não no tempo online
- há um bônus de R$ 5,00 por entrega no período de lançamento
- entregadores podem realizar até sete saques gratuitos por semana
A empresa afirma que o modelo “segue a prática de mercado”, mas os entregadores contestam, alegando que as penalidades e bloqueios tornam o trabalho menos vantajoso do que em outras plataformas.
Pressão aumenta na estreia da nova plataforma
A paralisação na primeira semana de operação expõe o desafio da Keeta em equilibrar crescimento acelerado, competição por clientes e remuneração justa para entregadores.
Enquanto a empresa tenta se firmar num mercado já disputado, o movimento na Baixada Santista acende um alerta: a relação com os trabalhadores de delivery pode ser decisiva para o sucesso — ou fracasso — da nova gigante do delivery no Brasil.
Fonte: istoedinheiro







