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Fabricantes de sorvete denunciam práticas predatórias de multinacionais no Brasil

Fabricantes brasileiros de sorvete acusam grandes multinacionais de adotarem práticas comerciais consideradas predatórias no mercado nacional. A denúncia foi feita pela Abrasorvete, associação que representa cerca de 10 mil empresas do setor, e envolve principalmente a Unilever — que recentemente separou sua operação de sorvetes sob a marca Magnum Ice Cream Company — e a Froneri, joint venture da Nestlé.

Segundo a entidade, as empresas estariam praticando preços abaixo do custo de produção e firmando contratos de exclusividade com varejistas, o que dificultaria a atuação de produtores locais. Em alguns casos relatados, potes de 1,5 litro estariam sendo vendidos por menos de R$ 9, valor que, de acordo com a associação, chega a ser três vezes inferior ao praticado por fabricantes nacionais.

Para o presidente da Abrasorvete, Martin Eckhardt, esse tipo de estratégia compromete a dinâmica concorrencial do setor. “Quando uma multinacional vende um produto por um preço que mal cobre matéria-prima e logística, não se trata de competição, mas de sufocamento do mercado”, afirmou em comunicado.

Produtores de estados como Ceará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Espírito Santo já formalizaram queixas e pedem uma intervenção urgente. A associação também relata a existência de cláusulas contratuais que impedem fabricantes locais de vender seus produtos ou até de realizar ações promocionais em espaços públicos. Há ainda denúncias de pagamentos diretos a pequenos estabelecimentos — como padarias — para garantir exclusividade de equipamentos, com valores que podem chegar a R$ 20 mil.

A Abrasorvete afirma ter solicitado diálogo com as empresas no início de dezembro, mas diz não ter recebido resposta até o momento e não descarta recorrer à Justiça.

Procurada, a Magnum Ice Cream Company informou que não tem conhecimento de qualquer notificação formal da entidade e reforçou seu compromisso com a livre concorrência, afirmando atuar em conformidade com a legislação e com seu código de conduta. Já a Froneri declarou que pauta sua atuação pelo cumprimento das leis e pelas melhores práticas de mercado, destacando que sua política de preços resulta de investimentos em eficiência operacional e otimização da cadeia de suprimentos.

De acordo com a Abrasorvete, a Froneri lidera o mercado brasileiro de sorvetes com cerca de 23% de participação, enquanto a Magnum aparece na sequência, com aproximadamente 13%.

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Fonte: UOL

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