A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) solicitou esclarecimentos ao iFood sobre suspeitas de práticas anticompetitivas contra restaurantes que passaram a operar também em plataformas concorrentes. A apuração foi motivada por uma ação civil pública movida pelo Sindicato dos Bares, Restaurantes e Similares do Município de Goiânia.
Segundo o ofício enviado pelo órgão, há indícios de que estabelecimentos que aderem a aplicativos concorrentes teriam sofrido retaliações na plataforma, como ocultação nos resultados de busca, desativação de perfis ou reclassificação indevida em categorias diferentes dentro do app.
O Cade também questiona a utilização do selo “exclusivo” para determinados restaurantes, como redes de grande porte, e menciona reclamações registradas no site Reclame Aqui, nas quais parceiros relatam supostas penalizações ao ingressarem em aplicativos concorrentes.
O órgão reforça que acompanha o cumprimento do Termo de Compromisso de Cessação (TCC) firmado pelo iFood em 2023, que estabeleceu limites para contratos de exclusividade entre a plataforma e restaurantes. Além disso, desde novembro de 2025, a autarquia monitora a dinâmica competitiva em cidades como Goiânia (GO), Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP), São Vicente (SP) e São Paulo (SP), onde novos players como 99 e Keeta iniciaram operações no segmento de delivery.
Em nota, o iFood afirmou que está em conformidade com as determinações do TCC homologado em fevereiro de 2023 e que o novo ofício faz parte de um acompanhamento rotineiro do Cade. A empresa declarou ainda que os critérios de visibilidade dentro da plataforma são objetivos e voltados à melhor experiência do consumidor, levando em consideração perfil de consumo, níveis de serviço e investimento realizado pelos parceiros.
A empresa acrescentou que, em média, os restaurantes seguem registrando crescimento no volume de pedidos na plataforma, incluindo aqueles que operam simultaneamente em aplicativos concorrentes.
O caso reacende o debate sobre concorrência no mercado de delivery e os impactos das políticas de visibilidade e exclusividade para operadores do foodservice — um tema que deve seguir no radar do setor.







