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Embalagens ganham protagonismo na estratégia de delivery

O que as embalagens estão nos mostrando sobre o futuro do delivery

Existe um ponto do delivery que quase nunca entra na discussão sobre crescimento no foodservice: a embalagem. E, na prática, ela pode ser um dos ativos mais estratégicos para os restaurantes hoje. Isso porque, aos poucos, o delivery deixou de ser apenas logística e passou a se transformar também em um espaço de comunicação.

Quando falamos sobre foodservice como plataforma de mídia, muita gente pensa primeiro nos aplicativos ou nas campanhas digitais. Mas existe esse ponto de contato que, na minha visão, ainda é subestimado por muitos restaurantes.

A embalagem é, na prática, o momento em que a marca chega fisicamente até a casa do cliente. Diferente de um anúncio online, ela não compete com dezenas de estímulos ao mesmo tempo. Ela está ali, na mesa, na cozinha, muitas vezes sendo vista por mais de uma pessoa. E isso cria uma oportunidade de comunicação muito poderosa.

O que tenho observado conversando com operadores e acompanhando o mercado é que alguns restaurantes começaram a entender melhor esse potencial. Em vez de tratar a embalagem apenas como custo operacional, passaram a enxergá-la como um ativo estratégico. Ou seja, um espaço para reforçar a marca, contar uma história, criar conexão e até gerar novas oportunidades de negócio.

Isso faz ainda mais sentido dentro da lógica atual do delivery. Hoje, grande parte dos pedidos acontece em ambientes digitais onde as marcas disputam atenção dentro de uma mesma vitrine. Quando o pedido chega ao consumidor, aquele é um dos poucos momentos em que o restaurante tem um contato direto e exclusivo com ele.

É nesse ponto que a embalagem ganha um papel que vai além do funcional. Ela pode orientar o cliente para um próximo pedido, apresentar novos produtos, convidar para um canal direto ou até criar experiências que aumentem a lembrança da marca. Em outras palavras, ela deixa de ser apenas parte da operação e passa a integrar a estratégia de crescimento.

Outro fator que reforça essa tendência é a mudança no comportamento do consumidor. O delivery se tornou parte da rotina de muita gente. Isso significa que o restaurante não está apenas entregando comida, ele está entrando na casa das pessoas com frequência. E cada uma dessas entregas representa um momento de comunicação que pode ser melhor aproveitado.

Quando olhamos para o foodservice sob essa perspectiva, fica claro que estamos falando de um ecossistema com muitos pontos de contato ainda pouco explorados. Embalagens, cupons, mensagens personalizadas, experiências que incentivem a recompra. Tudo isso pode transformar um simples pedido em uma oportunidade de relacionamento com o cliente.

Por fim, acredito que, nos próximos anos, veremos cada vez mais o foodservice sendo tratado também como um ambiente de mídia. Não no sentido tradicional de publicidade, mas como um espaço estratégico de conexão com o cliente. E, dentro desse cenário, a embalagem, que muitas vezes foi vista apenas como detalhe, pode se tornar um dos elementos mais valiosos dessa nova lógica do delivery.

*Ricardo Longa é CEO da voa.delivery, hub logístico completo que leva inteligência às operações de delivery, gerando eficiência financeira e operacional para restaurantes. A startup já intermediou mais de 2 milhões de entregas, atende mais de 3.000 restaurantes em todo o Brasil, conta com 7.000 entregadores cadastrados e registra um tempo médio de 1 minuto e meio para que os estabelecimentos encontrem os entregadores mais adequados. Recentemente, a voa.delivery iniciou operações em Porto Alegre e agora está presente nas três capitais da Região Sul, reforçando sua estratégia de expansão e consolidação regional.

Fonte: assessoria

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