Uma pesquisa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) acaba de abrir uma nova frente de inovação para o foodservice e a agroindústria: o desenvolvimento de um queijo do reino feito a partir de leite de cabra. A iniciativa nasce no Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias (CCHSA), em Bananeiras, e conecta tradição, tecnologia e valorização da produção regional.
O projeto foi liderado pela professora Fabiana Augusta Santiago Beltrão e partiu de um desafio relevante para o semiárido: como gerar mais valor para a caprinocultura local, que já tem forte presença na região, mas ainda enfrenta limitações de mercado. A resposta veio com a adaptação de um produto clássico da cultura alimentar brasileira — o queijo do reino — para uma nova matéria-prima.
A equipe ajustou a tecnologia tradicional de produção para trabalhar com o leite caprino, conhecido pelo alto valor nutricional e pela maior digestibilidade. Os testes foram conduzidos no Laboratório de Laticínios do CCHSA, com apoio de alunos de Agroindústria dentro do PIBIC, reforçando o papel da pesquisa aplicada na formação profissional.
Durante o desenvolvimento, os pesquisadores trabalharam com três formulações: 100% leite de cabra, uma mistura com leite bovino e uma versão tradicional apenas com leite de vaca, usada como referência. O processo seguiu etapas clássicas — pasteurização, coagulação, prensagem e maturação — e os resultados passaram por análises rigorosas de qualidade e segurança.
Um dos pontos mais interessantes foi a adaptação do leite de cabra ao produto final. Havia uma preocupação inicial com o sabor mais marcante, mas os ajustes tecnológicos permitiram chegar a um queijo com textura, coloração e perfil sensorial próximos ao queijo do reino tradicional — mantendo, ao mesmo tempo, características próprias e um diferencial nutricional.
Do ponto de vista de mercado, o projeto já aponta caminhos. A equipe identificou potencial de aceitação comercial, o que abre espaço para o produto como uma alternativa inovadora dentro da agroindústria regional. Para pequenos produtores, isso significa novas possibilidades de diversificação e aumento de valor agregado.
Além disso, o projeto já deu origem a um pedido de patente junto ao INPI, reforçando o caráter inovador da solução e seu potencial de escala.
Mais do que um novo produto, a iniciativa mostra como pesquisa, território e cadeia produtiva podem caminhar juntos. Em um cenário em que consumidores buscam diferenciação, origem e valor nutricional, soluções como essa ganham relevância — especialmente para operadores atentos a tendências e novas oportunidades de negócio.
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Fonte: UFPB







