A alta do petróleo já começa a chegar às prateleiras no Japão — e não só pelos combustíveis. Produtos básicos como natto e pão estão ficando mais caros, pressionados por um fator menos visível: o custo das embalagens.
O ponto de atenção está na nafta, derivado do petróleo essencial para a produção de plásticos. Com a valorização dessa matéria-prima, fabricantes de alimentos enfrentam dificuldade para absorver os custos — e começam a repassar os aumentos ao consumidor.
Um exemplo é a Mizkan, que anunciou reajustes em toda a sua linha de natto a partir de junho. Os aumentos variam entre 6% e 20%, com impacto direto no preço final. Um produto que custava 235 ienes passará a 281 ienes.
O movimento não se limita a esse segmento. A Pasco Shikishima Baking, conhecida por pães e bolos, também confirmou reajustes entre 3% e 9%, previstos para julho.
Por trás desse cenário está a instabilidade no mercado internacional de energia. Tensões no Oriente Médio e riscos no abastecimento — especialmente envolvendo o Estreito de Ormuz — têm pressionado o preço da nafta, afetando cadeias produtivas que dependem de insumos petroquímicos.
O caso chama atenção porque mostra como custos indiretos, como o de embalagens, podem impactar alimentos básicos. E reforça um ponto importante para o foodservice: a pressão de custos nem sempre vem do ingrediente principal — mas de toda a cadeia que sustenta o produto.







