A sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta reputacional e passou a ocupar papel central na competitividade do agronegócio brasileiro. Essa foi uma das principais mensagens debatidas durante o painel “Agro: herói ou vilão? O Brasil que o Mundo não Entende”, realizado no São Paulo Innovation Week (SPIW).
Durante o encontro, o professor da Unicamp e pesquisador Antonio Marcio Buainain defendeu que o setor agropecuário brasileiro precisa assumir de forma mais contundente a agenda ambiental para enfrentar a percepção negativa do país no exterior, especialmente em relação ao desmatamento.
Segundo o pesquisador, a sustentabilidade passou a funcionar como condicionante de competitividade internacional, influenciando mercados, investimentos e relações comerciais.
Agro precisa enfrentar questões estruturais
Buainain afirmou que o setor precisa abandonar uma postura defensiva e reconhecer desafios estruturais ligados à expansão territorial, desmatamento e inclusão social.
Para ele, o discurso baseado apenas em produtividade e eficiência não elimina automaticamente os impactos da expansão agrícola sobre novas áreas.
O pesquisador também destacou a importância de integrar a agenda ambiental à proteção de populações originárias, afirmando que o agro brasileiro não pode se posicionar em oposição às comunidades indígenas.
Debate reforça peso internacional da Amazônia
Outro ponto central do painel foi a influência da preservação ambiental na imagem internacional do Brasil.
Marcello Brito, diretor da área agroambiental da Fundação Dom Cabral e ex-presidente da Abag, destacou que a percepção externa sobre o país ainda está fortemente ligada ao avanço do desmatamento e das queimadas na Amazônia.
Segundo ele, pesquisas de percepção internacional realizadas ao longo dos últimos anos mostravam pouca associação direta do Brasil ao agronegócio nas redes sociais, enquanto críticas ambientais apareciam com frequência.
Agenda ESG é vista como oportunidade econômica
Os especialistas também apontaram que a agenda ESG pode representar oportunidades econômicas relevantes para o Brasil.
João Adrien, diretor de ESG do Itaú BBA, afirmou que a transição energética global e políticas ligadas aos biocombustíveis tendem a ampliar a demanda por commodities agrícolas como milho e soja.
Segundo ele, o país possui vantagens competitivas importantes nesse cenário e pode se beneficiar da nova economia de baixo carbono.
Sustentabilidade avança como pauta estratégica do foodsystem
O debate no SPIW reforça como sustentabilidade, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental vêm se tornando temas cada vez mais estratégicos para toda a cadeia de alimentos, do campo ao foodservice.
Pressões de consumidores, investidores e mercados internacionais vêm acelerando a necessidade de adaptação das empresas do setor agroalimentar, especialmente em temas ligados à preservação ambiental, emissão de carbono e transparência produtiva.
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Fonte: Estadão







