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Mudanças na NR-01 Elevam Responsabilidade do RH e das Lideranças

NR-01 muda percepção sobre o RH e amplia responsabilidade das lideranças

Até pouco tempo atrás, a saúde mental nas empresas era tratada como um benefício acessório. O pacote corporativo padrão envolvia oferecer um aplicativo de meditação, promover palestras no Setembro Amarelo ou colocar frutas na copa. Ações interessantes, mas agora a NR-01 muda essa lógica, pois irá exigir coerência, consistência e acompanhamento.

Ao alinhar a legislação brasileira ao reconhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que o burnout é um fenômeno ocupacional, o recado ficou claro: um ambiente de trabalho tóxico não é mais apenas uma falha de liderança; é uma infração de segurança e saúde no trabalho (SST).

Os dados ilustram o cenário preocupante: em 2025, mais de meio milhão de licenças de trabalho foram concedidas por transtornos mentais. Ao todo, o país teve 4 milhões de afastamentos, segundo o Ministério da Previdência Social. O estresse crônico, o assédio moral institucionalizado e a sobrecarga deixaram de ser “o preço do sucesso” para se tornarem passivos trabalhistas, previdenciários e cíveis de proporções milionárias – além de um custo à saúde que nenhum trabalhador deveria vivenciar. 

O que o mercado ainda custa a entender, no entanto, é que a adequação à NR-01 não é um projeto com data de início, meio e fim. Isso porque o risco psicossocial é dinâmico. Ele muda quando a empresa passa por um M&A, quando as metas do trimestre são dobradas sem aumento de equipe, ou quando um novo gestor com perfil micro gerenciador assume uma área. A adequação à norma exige monitoramento contínuo e comunicação clara. E existe um impacto direto disso na produtividade do país. Em um momento em que o debate sobre jornadas de trabalho reacende discussões sobre a suposta baixa produtividade brasileira frente a mercados desenvolvidos, ainda ignoramos que ambientes de trabalho adoecidos, sobrecarregados e desconectados também comprometem eficiência, inovação e capacidade de entrega no longo prazo.

É exatamente neste ponto que a conformidade não pode ser um apêndice ditado pelo departamento jurídico; ela precisa ser a espinha dorsal da cultura da empresa. Se o RH desenha um PGR perfeito no papel, mas a cultura da diretoria aplaude quem trabalha 14 horas por dia e responde e-mails de madrugada, a empresa está em não conformidade e, muito provavelmente, operando abaixo do seu potencial produtivo. 

Toda a cadeia precisa ter clareza que a forma como o trabalho é desenhado, de prazos a volume e garantia de autonomia é, do ponto de vista legal e médico, um fator de risco ou de proteção à saúde do colaborador. Com a NR-01, o desafio não é mais reter o talento com discurso e ambientes descontraídos, mas garantir que a estrutura da empresa não o adoeça.

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TAGS: burnout, nr-01, OMS, RH, sst.

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