Levantamento da Shopping Brasil mostra que o número de ofertas de bebidas cresceu 19% entre janeiro e maio de 2026 na comparação com o mesmo período de 2024; Sul ampliou em 53% o volume de ofertas
Em mercados maduros, as transformações raramente acontecem de forma repentina. Antes de se consolidarem em vendas, elas costumam surgir nas apostas promocionais da indústria e do varejo. É justamente esse movimento que os dados mais recentes do mercado de bebidas, em levantamento da Shopping Brasil (https://w0.shoppingbrasil.com.br/), referência em ofertas no país, que monitora diariamente os principais varejistas nacionais e regionais a partir de anúncios veiculados em mídias sociais, campanhas em TV e encartes físicos e digitais, começam a revelar.
Levantamento da Shopping Brasil mostra que o número de ofertas de bebidas cresceu 19% entre janeiro e maio de 2026 na comparação com o mesmo período de 2024. Apenas em maio, o avanço foi de 23%. Mas esse crescimento não aconteceu da mesma forma em todo o país.
Enquanto a região Sul ampliou em 53% o volume de ofertas, o Centro-Oeste registrou crescimento de 44% e o Nordeste avançou 35%. Já o Sudeste apresentou retração de 4%, enquanto o Norte recuou 13%.
“A principal mudança não está apenas na quantidade de ofertas. O que chama atenção é a redistribuição do espaço promocional entre regiões, categorias e fabricantes. O mapa das bebidas está ficando mais complexo e menos homogêneo”, afirma Renata Gonzalez, diretora comercial e sócia da Shopping Brasil.
Os novos territórios da disputa promocional – As mudanças também aparecem na forma como as ofertas chegam aos consumidores. As redes sociais ampliaram sua participação de 58% para 63% do total de ofertas entre janeiro e maio de 2024 e o mesmo período de 2026. Já a televisão passou de 17% para 10%, enquanto os tabloides avançaram de 25% para 27%.
A mudança não reduz a importância da TV dentro da estratégia promocional do setor. Pelo contrário. “A mídia continua exercendo papel relevante na construção da percepção de competitividade e alcance massivo junto aos consumidores. O que os dados sugerem é uma utilização mais seletiva desse espaço”, diz Renata.
Outra mudança relevante aparece nos formatos de varejo. O atacarejo ampliou sua participação nas ofertas de bebidas de 28% para 36% no período analisado. Os supermercados permaneceram estáveis em 55%, enquanto os hipermercados reduziram sua participação de 17% para 9%. O resultado reforça o protagonismo crescente de formatos tradicionalmente associados ao alto giro e à competitividade de preços.
O território das cervejas ficou menor – Mesmo permanecendo como uma das categorias mais relevantes do mercado de bebidas, as cervejas alcoólicas perderam espaço relativo dentro das estratégias promocionais. Enquanto o mercado total de bebidas cresceu 19%, o volume de ofertas de cervejas alcoólicas recuou 7% entre janeiro e maio de 2026 na comparação com o mesmo período de 2024. Considerando apenas maio, a retração chegou a 9%.
Pela primeira vez em muitos anos, a principal categoria promocional do mercado de bebidas cresce em ritmo inferior ao restante do setor. O comportamento observado pode estar relacionado a uma combinação de fatores, incluindo revisões de sortimento, maior seletividade nas apostas promocionais e uma possível valorização de produtos de maior valor agregado.
A categoria que mais acelera – Se as cervejas alcoólicas continuam dominando o território promocional das bebidas, as cervejas sem álcool representam o movimento de crescimento mais acelerado observado pelo estudo. Entre janeiro e maio de 2026, o volume de ofertas avançou 239% em relação ao mesmo período de 2024. Apenas em maio, o crescimento chegou a 257%.
Apesar da forte aceleração, a categoria responde por uma parcela limitada da atividade promocional do setor. No acumulado de janeiro a maio de 2026, as cervejas sem álcool representaram 2% das ofertas monitoradas, enquanto as cervejas alcoólicas concentraram 27%.
Destilados ultrapassaram as cervejas – Poucas mudanças observadas no estudo são tão emblemáticas quanto a ocorrida no Nordeste. Durante anos, as cervejas alcoólicas ocuparam posição de destaque nas estratégias promocionais da região. Entre janeiro e maio de 2024, a categoria concentrava 28% da atividade promocional entre as bebidas, liderando o ranking regional.
Dois anos depois, o cenário mudou. Os destilados passaram a ocupar a primeira posição, com 24% da participação promocional regional, enquanto as cervejas alcoólicas recuaram para 21%.
Mais do que o crescimento de uma categoria específica, o movimento chama atenção por revelar uma alteração na hierarquia promocional do mercado regional. “O Nordeste apresenta uma dinâmica própria dentro do mercado brasileiro de bebidas. Quando observamos mudanças de liderança entre categorias tão consolidadas, estamos diante de um sinal relevante sobre como fabricantes e varejistas estão distribuindo suas apostas promocionais”, argumenta Renata.
Mais categorias disputam atenção – As mudanças observadas no mercado não se concentram em uma única tendência. Além do avanço das cervejas sem álcool, outras categorias também ampliaram sua relevância dentro das estratégias promocionais do varejo.
Os refrigerantes passaram de 13% para 16% da atividade promocional entre as categorias de bebidas no período analisado. O crescimento, porém, não ocorreu de forma homogênea.
O principal vetor de expansão foi o segmento de refrigerantes zero e sem açúcar, que registrou crescimento de 108% no volume de ofertas.
O movimento ocorre em um contexto de mercado marcado por discussões crescentes sobre saudabilidade, redução de açúcar e busca por alternativas de menor impacto calórico.
Mas a redistribuição do espaço promocional não acontece apenas em categorias associadas a esse perfil. Os energéticos registraram crescimento de 28% no volume de ofertas entre janeiro e maio de 2026 em comparação com o mesmo período de 2024. Já os RTDs (Ready to Drink), bebidas prontas para consumo, avançaram 23% no mesmo intervalo.
O que as ofertas revelam sobre o mercado – As vendas mostram onde o mercado está. As estratégias promocionais ajudam a entender para onde ele está se movendo. Os dados mostram que a principal transformação observada no setor não está apenas no aumento do volume de ofertas. Ela está na redistribuição da atenção entre categorias, fabricantes, formatos, regiões e canais de comunicação.
Categorias historicamente dominantes continuam relevantes, mas já não ocupam sozinhas o centro das estratégias promocionais. Novos segmentos ampliam sua presença, fabricantes reposicionam suas apostas e diferentes regiões passam a desenvolver dinâmicas próprias.
“Acompanhar a evolução do espaço promocional tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para entender a direção do mercado”, conclui Renata Gonzalez.







