O Grupo Heineken está ampliando sua atuação no mercado brasileiro para alcançar ocasiões de consumo que vão além da cerveja tradicional. A estratégia ganha força com o crescimento do portfólio de bebidas com menos álcool, menos calorias ou sem glúten, cujas vendas avançaram mais de 50% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Segundo reportagem da Bloomberg Línea, enquanto esse portfólio cresceu acima de 50%, os produtos considerados core business da companhia registraram avanço de um dígito no período.
A estratégia foi formalizada com a plataforma +Equilíbrio, que reúne produtos como Heineken 0.0, Sol Zero, Amstel Ultra, Lagunitas DayTime, Mamba Protein, Baer Mate e a recém-lançada Heineken Ultimate.
Até o fim de 2026, a iniciativa deve chegar a mais de 150 pontos de venda em dez estados, com presença tanto nas gôndolas dos supermercados quanto nos cardápios de bares e restaurantes.
Novas ocasiões de consumo
Em entrevista à Bloomberg Línea, Rafael Rizzi, vice-presidente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Heineken, explicou que o movimento não representa uma substituição do mercado tradicional de cervejas.
“Não vemos isso como uma substituição do mercado”, afirmou o executivo. A estratégia, segundo ele, está relacionada à ampliação dos momentos em que as marcas da companhia podem estar presentes na rotina dos consumidores.
Um exemplo é a Heineken 0.0. Lançada no Brasil em 2020, a cerveja sem álcool inicialmente esteve muito associada a situações de restrição ao consumo de bebidas alcoólicas, como dirigir. Com a mudança de comportamento dos consumidores, a empresa identifica novas ocasiões, incluindo reuniões e almoços de trabalho.
A companhia utiliza o conceito de “share of throat” para acompanhar essa transformação. A lógica considera que o consumidor continua bebendo, mas pode distribuir suas escolhas entre diferentes categorias, como cervejas, bebidas sem álcool, chás e bebidas proteicas.
Portfólio vira motor de crescimento
Apesar do avanço registrado, as bebidas reunidas na estratégia +Equilíbrio ainda representam uma parcela pequena da receita da companhia no Brasil. A cerveja premium, por sua vez, responde por mais de 70% do negócio no país.
Ainda assim, Rizzi classificou o novo portfólio como o principal motor de crescimento da empresa atualmente. A aposta também ocorre em um momento em que o avanço das cervejas premium e artesanais tende a entrar em uma fase de maior maturidade.
Segundo o executivo, premium e artesanais representavam menos de 5% do mercado brasileiro antes de 2015 e hoje superam 20% de participação, aproximando-se de mercados maduros como Reino Unido e Estados Unidos, onde essa fatia varia entre 26% e 30%.
Setor cervejeiro busca retomada
A diversificação também ocorre após um período mais desafiador para o mercado de cervejas. De acordo com Rizzi, 2025 registrou a queda de volumes mais expressiva desde a pandemia, influenciada por fatores como clima desfavorável, menor número de feriados, cenário macroeconômico e mudanças na destinação da renda dos consumidores.
Para a Heineken, no entanto, a retração não representa uma mudança estrutural no setor. A companhia identificou sinais de recuperação no último trimestre de 2025, que continuaram no início de 2026.
Nesse cenário, a estratégia da empresa passa por manter a cerveja como centro do negócio enquanto amplia sua participação em outras categorias e momentos de consumo. Para bares e restaurantes, o movimento também aumenta a variedade de produtos disponíveis para atender consumidores que buscam alternativas sem álcool, com menor teor alcoólico ou associadas a diferentes ocasiões ao longo do dia.
Fonte: Bloomberg Línea, reportagem de Daniel Buarque, publicada em 9 de setembro de 2026.







