Entrevistas exclusivas ao VIVA detalham os resultados iniciais da semaglutida oral, as diferenças em relação às canetas e os desafios para ampliar o acesso no Brasil
A possibilidade de tratar a obesidade com semaglutida em comprimido, além das já conhecidas canetas, pode ampliar as opções disponíveis aos pacientes. Estudos recentes indicam que a mudança da apresentação injetável para a oral pode manter os benefícios do tratamento, mas especialistas alertam que a escolha depende de avaliação médica, resposta individual, segurança e capacidade de seguir corretamente a terapia.
Em entrevistas exclusivas publicadas pelo Portal VIVA, o maior portal 50+ do Brasil, médicos e executivos da Novo Nordisk, multinacional farmacêutica responsável pela fabricação desses medicamentos, explicaram o que os novos dados representam e por que a discussão vai além da preferência entre injeção e comprimido.
Estudo avaliou a troca entre as apresentações
Apresentado em 2026 no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão, o estudo OCTANE acompanhou 194 pacientes nos Estados Unidos. Os participantes haviam utilizado medicamentos injetáveis para controle da obesidade por cinco meses antes de migrar para a semaglutida oral.
Após três meses, foi registrada perda média adicional de 4,1% do peso corporal, equivalente a aproximadamente quatro quilos. O levantamento também apontou que 75% dos participantes estavam satisfeitos e 86,7% mantiveram adesão ao uso diário do comprimido.
Em entrevista ao VIVA, a endocrinologista e metabologista Tassiane Alvarenga, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, afirmou que o estudo indica que “a troca da versão injetável para o comprimido é segura e não leva ao reganho de peso”. Segundo ela, os achados podem ser relevantes principalmente na fase de manutenção, quando parte dos pacientes abandona o tratamento injetável.
Os resultados, entretanto, ainda são iniciais. Entre as limitações reconhecidas estão o curto período de acompanhamento, o uso de dados autorrelatados e a possibilidade de viés de seleção. Por isso, não é possível generalizar as conclusões para todos os pacientes.
Comprimido não significa tratamento mais simples
A caneta de semaglutida é aplicada semanalmente, enquanto a apresentação oral estudada exige uso diário. O comprimido pode ser uma alternativa para pessoas com receio de agulhas ou que tenham dificuldades práticas com a aplicação. Para outras, a frequência semanal pode continuar sendo mais conveniente.
Independentemente do formato, a semaglutida pode provocar efeitos adversos, como náusea, diarréia, vômitos, constipação e desconforto abdominal. Também possui contraindicações e não deve ser utilizada sem prescrição e acompanhamento profissional.
Acesso permanece no centro do debate
A semaglutida oral para obesidade ainda aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e não está disponível no Brasil. Paralelamente, governo e indústria discutem a possível incorporação da versão injetável ao Sistema Único de Saúde.
Ainda na entrevista exclusiva do VIVA, o CEO da Novo Nordisk, Mike Doustdar, defendeu que não basta desenvolver medicamentos: é necessário garantir que eles cheguem aos pacientes. A companhia ainda explicou que a apresentação oral utiliza uma quantidade maior de princípio ativo, o que eleva os custos de produção e pode tornar sua futura inclusão no SUS mais complexa.
O Ministério da Saúde estima um orçamento de R$1,5 bilhão por ano para oferecer medicamentos dessa categoria na rede pública e projeta redução de preços com compras em escala e produção nacional. A incorporação, porém, ainda depende de avaliação da Conitec, órgão do Ministério da Saúde que é responsável por avaliar a inclusão de novos medicamentos no SUS.
Mais do que definir um formato vencedor, o avanço pode permitir tratamentos mais individualizados. Caneta ou comprimido deverão ser escolhas clínicas, integradas a acompanhamento contínuo, alimentação equilibrada, atividade física e cuidados adequados às necessidades de cada paciente.







