O governo federal anunciou a intenção de disponibilizar medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita ao novo complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros, Minas Gerais, em 17 de setembro. A previsão é que o acesso seja gratuito, mediante prescrição médica e seguindo critérios definidos pelo Ministério da Saúde. Ainda não há data para o início da oferta.
A medida coloca as chamadas canetas emagrecedoras novamente no centro das discussões sobre o tratamento da obesidade no Brasil, em um momento de expansão do mercado de medicamentos baseados em GLP-1 e de entrada de novos produtos no país.
Tratamento deverá priorizar pacientes com obesidade grave
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a estratégia deverá priorizar pacientes que possam obter maior benefício clínico com o tratamento. Entre os grupos mencionados estão pessoas com obesidade grave, doenças associadas, problemas cardiovasculares ou indicação para cirurgia bariátrica.
A disponibilização, entretanto, ainda depende de etapas de avaliação. Segundo informações posteriores do Ministério da Saúde, a incorporação ao SUS passa pela análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), além da avaliação dos impactos clínicos, financeiros e operacionais da medida.
Estudo avalia uso de semaglutida na rede pública
Desde junho, o Ministério da Saúde conduz um projeto-piloto para analisar a relação entre custo e efetividade da semaglutida no tratamento de pacientes atendidos pela rede pública.
Chamado de Real-Bari, o estudo deve acompanhar durante dois anos 250 pacientes com obesidade grave atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. Entre os critérios utilizados para selecionar os participantes estão presença de comorbidades, indicação para cirurgia bariátrica, diagnóstico de obesidade estabelecido há mais de um ano e histórico de insucesso com tratamentos convencionais envolvendo alimentação e atividade física.
O estudo considera pacientes com obesidade grau 3, caracterizada por índice de massa corporal (IMC) superior a 40, ou acima de 35 quando acompanhado de doenças relacionadas à obesidade.
Mercado de canetas contra obesidade ganha novos produtos
O anúncio também ocorre em meio à expansão da oferta desses medicamentos no Brasil. O mercado nacional já reúne diferentes produtos à base de moléculas como semaglutida e liraglutida, com indicações que variam entre tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
A Eurofarma, visitada pelo presidente durante o anúncio, comercializa o Poviztra, medicamento à base de semaglutida produzido em parceria com a Novo Nordisk e indicado para o tratamento da obesidade. Segundo a Veja, o produto chegou ao mercado brasileiro em 2025 e seus preços variam conforme a dosagem e programas comerciais da fabricante.
A eventual incorporação das canetas ao SUS pode ampliar o acesso a uma categoria que ganhou relevância tanto na indústria farmacêutica quanto nas discussões sobre obesidade e hábitos de consumo. Por enquanto, porém, o modelo de fornecimento, os medicamentos que poderão ser contemplados e o cronograma de implementação ainda não foram definidos.
Fonte: Veja, com informações complementares sobre o processo de incorporação ao SUS.







