Quem consome bebidas proteicas com frequência conhece bem o problema: textura arenosa, sensação pesada na boca ou um gosto residual pouco agradável. Esses fatores ainda são barreiras importantes para ampliar o consumo — mas avanços recentes indicam caminhos promissores para mudar esse cenário.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Reading, da Universidade de Aberystwyth e da Arla Foods Ingredients mostra que a solução pode estar no próprio processo de fabricação das proteínas do soro de leite. Publicado no International Dairy Journal, o trabalho revela que ajustes na etapa de filtração têm impacto direto na percepção sensorial do produto final.
A equipe utilizou uma técnica de filtração por membrana para concentrar seletivamente proteínas, aumentando significativamente o teor de alfa-lactalbumina — componente com alto valor nutricional. O resultado inicial trouxe ganhos importantes na textura, com bebidas mais suaves e menos atrito na boca.
Mas nem tudo funcionou de primeira: surgiram notas amargas e levemente picantes. A investigação identificou que o problema não estava na proteína em si, mas na concentração indesejada de minerais durante o processo.
Ao ajustar o protocolo para remover esses minerais, os pesquisadores conseguiram chegar a uma formulação mais equilibrada — mantendo a textura agradável e reduzindo os sabores indesejados. Na prática, o estudo mostra que é possível melhorar a experiência sensorial sem comprometer o perfil nutricional, desde que haja controle fino das etapas produtivas.
Para a indústria, o ponto mais interessante é a aplicabilidade: o método foi testado em escala piloto com equipamentos já disponíveis, o que facilita sua adoção.
Por que a textura ainda é um desafio no foodservice e na indústria
A textura tem um papel decisivo na aceitação de alimentos e bebidas. No caso de produtos proteicos, isso se torna ainda mais crítico: mesmo com benefícios funcionais claros, uma experiência sensorial negativa pode afastar o consumidor.
No caso dos shakes e bebidas proteicas, características como viscosidade elevada, sensação pastosa ou presença de grânulos são obstáculos recorrentes. Esses efeitos estão ligados à própria natureza das proteínas, que tendem a se aglomerar ou interagir de forma complexa no líquido.
Tecnologias como a filtração por membrana permitem atuar nesse nível microscópico, ajustando o tamanho das partículas e sua distribuição. Isso não só melhora a textura, como também influencia a liberação de aromas — impactando diretamente a percepção de sabor.
Para marcas que querem ampliar o público das bebidas proteicas — indo além do nicho esportivo —, esse tipo de avanço pode ser decisivo. Afinal, mais do que entregar funcionalidade, o desafio está em tornar o consumo realmente prazeroso no dia a dia.
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Fonte: Techno science







