Pesquisadores da Universidade de Oxford apresentaram, em um estudo publicado na revista Nature, um suplemento alimentar inovador que pode revolucionar a saúde das abelhas e a reprodução das colônias.
O produto, desenvolvido a partir de técnicas de biologia sintética, busca suprir lacunas nutricionais críticas que afetam esses polinizadores. Hoje, a redução da diversidade floral — consequência tanto de práticas agrícolas intensivas quanto das mudanças climáticas — deixa as abelhas sem acesso a nutrientes essenciais encontrados no pólen natural.
Uma solução além dos substitutos convencionais
Até agora, as alternativas artificiais de pólen eram compostas por farinhas proteicas, açúcares e óleos, mas não entregavam os esteróis necessários para o bom funcionamento das colônias. Para resolver esse problema, a equipe de Oxford trabalhou em parceria com o Royal Botanic Gardens Kew e a Universidade Técnica da Dinamarca, utilizando a levedura Yarrowia lipolytica para produzir uma mistura precisa de seis esteróis principais.
Segundo a pesquisadora Elynor Moore, “para as abelhas, essa suplementação equivale à diferença entre uma refeição balanceada e uma sem nutrientes essenciais para os humanos”.
Resultados promissores nos testes
Os experimentos, realizados ao longo de três meses em ambiente controlado, mostraram que as colônias que receberam a dieta enriquecida com esteróis produziram até 15 vezes mais larvas viáveis em comparação às que receberam dietas convencionais. Além disso, enquanto colônias com deficiências nutricionais interromperam a reprodução após 90 dias, as que receberam o suplemento mantiveram a produção de ninhadas durante todo o período de análise.
Impacto para o setor de alimentos e bebidas
A descoberta tem potencial de impacto direto no setor de foodservice e na segurança alimentar. Afinal, mais de 70% das principais culturas globais dependem da polinização das abelhas. Nos EUA, as perdas anuais de colônias comerciais chegam a 40–50%, e as projeções indicam um cenário ainda mais preocupante nos próximos anos.
Danielle Downey, diretora da organização sem fins lucrativos Projeto Apis m, reforça: “Dependemos das abelhas para polinizar uma em cada três mordidas do que comemos. Garantir boa nutrição é essencial para aumentar a resiliência delas diante dos estresses ambientais”.
O que vem pela frente
Se os próximos testes em campo confirmarem os resultados obtidos em laboratório, o suplemento poderá chegar ao mercado em até dois anos, oferecendo aos agricultores uma alternativa eficaz para fortalecer colônias. Além disso, a tecnologia pode abrir caminho para soluções semelhantes voltadas a outros polinizadores e insetos criados em fazendas, ampliando as práticas agrícolas sustentáveis.
Fonte: Food Bev







