O número de fusões e aquisições no agronegócio cresceu 20% em 2025, totalizando 59 operações e encerrando um ciclo de queda iniciado em 2022. Dados de um estudo da PwC mostram que a maior parte dos negócios foi liderada por investidores estratégicos, já atuantes no setor, em um contexto marcado por juros elevados, crédito restrito e menor apetite de investidores financeiros.
Com a taxa Selic em 15%, ativos de renda fixa passaram a ser mais atrativos, reduzindo a presença de fundos no agro em relação a anos anteriores. Além disso, a captação de recursos via mercado de capitais, especialmente por meio de IPOs, tornou-se pouco viável desde 2021. De acordo com Leonardo Dell’Oso, sócio da PwC, esse cenário empurrou empresas com necessidade de capital para operações de fusões e aquisições. Em alguns casos, segundo ele, a alternativa era vender ativos, buscar uma fusão ou entrar em recuperação judicial.
Dados da Serasa Experian citados pelo Globo Rural reforçam essa tendência: no terceiro trimestre de 2025, produtores e empresas do agronegócio registraram 254 pedidos de recuperação judicial, o maior número desde 2021. Com mais companhias pressionadas financeiramente, os ativos colocados à venda ficaram mais atrativos para os compradores, criando oportunidades para investidores com visão de longo prazo.
Na divisão por segmentos, a agropecuária liderou as fusões e aquisições em 2025, com 15 operações, seguida por avicultura e frigoríficos. Um dos negócios de maior destaque foi a aquisição da Sierentz pela SLC Agrícola, anunciada em março de 2025 e avaliada em US$ 129 milhões. A operação envolve áreas arrendadas no Maranhão, Piauí e Pará e está alinhada à estratégia da SLC de expandir sua base produtiva com maior eficiência de capital, priorizando o arrendamento de terras em vez da compra.
Ainda segundo o estudo da PwC, a expectativa é que o movimento de alta nas fusões e aquisições continue até 2027. Para Dell’Oso, a maior previsibilidade para os próximos anos, aliada à perspectiva de queda dos juros e à redução das incertezas sobre a reforma tributária, deve sustentar o avanço das operações, mesmo com o processo eleitoral no radar dos investidores.







