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O efeito do Tarifaço de Trump nas Fusões e Aquisições no Brasil

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O tarifaço imposto por Donald Trump tem afetado não só as exportações e o faturamento das empresas brasileiras, mas também o mercado de fusões e aquisições (M&A). Algumas operações, especialmente aquelas que visam transformar o Brasil em uma plataforma exportadora, estão sendo suspensas enquanto o cenário se define.

Isabela Xavier, sócia do escritório BVA, explica que “negócios em setores que dependem de exportação ou de insumos importados, e que estão dentro da tarifa retaliatória, estão sendo temporariamente suspensos”. Para muitas dessas operações, a incerteza sobre a nova tarifa de importação pode fazer com que o negócio não se concretize.

Exemplo disso é o caso de um cliente europeu do BVA, que negociava a compra de uma empresa brasileira do setor de máquinas e equipamentos. A ideia era transformar a fábrica em um polo exportador para os Estados Unidos, mas a operação foi suspensa logo após o anúncio da tarifa.

Na Brasilpar, consultoria especializada em M&A de pequenas e médias empresas, a situação é similar. No primeiro semestre de 2025, a empresa fechou quatro negócios, sendo que três envolveram compradores ou vendedores estrangeiros. Agora, ao menos duas dessas transações, que tinham foco em exportação, estão aguardando o desenrolar da situação.

Tom Waslander, sócio da Brasilpar, ressalta que o Brasil estava se destacando como um destino atrativo para aquisições internacionais, especialmente enquanto China e Rússia enfrentavam dificuldades com os Estados Unidos. No entanto, agora, as aquisições que dependem de projetos de exportação estão em pausa.

Por outro lado, o Brasil continua atraente para aquisições em outros setores. Prova disso são as recentes transações, como a compra da Reframax pela japonesa Shinagawa Refractories e a aquisição da empresa de logística SMX pela espanhola Tiba.

Embora o cenário atual tenha causado uma desaceleração em algumas operações, muitos negócios continuam em andamento, principalmente aqueles que não estão ligados à exportação. A expectativa é que o impacto no número total de transações seja pequeno.

Fundos de Private Equity Adotam Postura Cautelosa
Daniel Wainstein, sócio-fundador da Sêneca Evercore, destaca que o nível de “mortalidade” das transações tem sido particularmente alto este ano. “Dependendo do setor, temos recomendado que nossos clientes posterguem a saída ao mercado e esperem um momento mais estável para tomar decisões”, afirma.

A volatilidade do câmbio e a possível desvalorização do real, se a tarifa se mantiver, podem aumentar a pressão inflacionária e afetar ainda mais as empresas, principalmente as que já enfrentam dificuldades financeiras.

O impacto do tarifaço de Trump no mercado de fusões e aquisições é significativo, mas ainda há uma base sólida de interesse em ativos brasileiros. As próximas semanas serão cruciais para entender como o cenário evolui e como as empresas e investidores irão se adaptar.



Fonte: Estadão

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