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Vinho, queijo e chocolate: acordo Mercosul–UE favorece consumidores de maior renda

gerado via IA

O acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado recentemente pelo bloco europeu, promete mudar o cenário de alguns produtos bastante presentes no dia a dia – e no cardápio – dos brasileiros. Vinhos, queijos, chocolates, azeites e massas importadas devem ganhar espaço nas gôndolas ao longo dos próximos anos, com impacto mais direto sobre consumidores das classes A e B.

Hoje, muitos desses itens são relativamente acessíveis na Europa, mas chegam ao Brasil com preços elevados por conta das tarifas de importação. O acordo prevê a redução gradual dessas alíquotas, o que pode tornar esses produtos mais competitivos no mercado nacional, ainda que esse movimento aconteça de forma lenta e escalonada.

Redução de tarifas será gradual

O tratado estabelece prazos longos para a eliminação total das tarifas, especialmente em setores considerados mais sensíveis. Em alguns casos, o consumidor brasileiro pode levar até 15 anos para acessar produtos europeus com imposto de importação zerado.

Entre os principais itens do universo gastronômico, o cronograma previsto é o seguinte:

  • Vinhos: atualmente taxados em 27%, terão a tarifa eliminada entre oito e 12 anos.
  • Queijos e laticínios: produtos como parmesão, brie e camembert, hoje com alíquotas entre 16% e 28%, terão tarifa zero em até dez anos, dentro de uma cota anual de 30 mil toneladas. Muçarela, creme de leite e leite condensado ficaram fora do acordo.
  • Chocolates e confeitos: hoje com cerca de 20% de imposto, terão tarifa zerada entre dez e 15 anos.
  • Azeites: a alíquota atual de 10% será eliminada em até 15 anos. No caso do azeite de bagaço de oliva, a tarifa cai em quatro anos.
  • Massas: a maioria dos produtos terá tarifa zero em até dez anos; hoje, a alíquota pode chegar a 16%.

Impacto concentrado nas classes A e B

Mesmo com a redução dos impostos, a cotação do euro continua sendo um fator limitante. Para Roberto Kanter, professor do MBA em Gestão Comercial da FGV, o acordo não deve popularizar esses produtos no curto prazo.

Segundo ele, os itens que devem chegar ao Brasil são considerados acessíveis na Europa, mas ainda vistos como supérfluos por aqui. Vinhos, queijos e chocolates importados tendem a permanecer restritos a um público de maior renda, especialmente enquanto o câmbio seguir elevado.

No caso dos chocolates, o impacto deve ser ainda mais limitado. O Brasil é um dos maiores produtores de cacau do mundo, o que dificulta a entrada de marcas europeias populares. A tendência é a chegada de chocolates premium belgas, suíços ou franceses, em volumes pequenos e voltados a lojas especializadas.

Oportunidades para a indústria brasileira

Do lado da produção nacional, o acordo também abre espaço para movimentos estratégicos. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) avalia que o tratado pode ajudar o Brasil a avançar na exportação de produtos com maior valor agregado.

A União Europeia representa um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores, com potencial para absorver alimentos processados produzidos no país. Para a indústria, o desafio passa a ser menos o volume e mais o posicionamento, a diferenciação e a adequação às exigências do mercado europeu.

Esse ponto, inclusive, dialoga com análises frequentes publicadas no Portal Foodbiz, que vêm destacando a importância de o foodservice brasileiro olhar para fora não apenas como exportador de commodities, mas como fornecedor de marcas, conceitos e soluções.

Um acordo de longo prazo

Apesar de já aprovado pelos países da União Europeia, o acordo ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu antes de entrar em vigor. Quando implementado, será o maior tratado de livre-comércio do mundo, reunindo um mercado de mais de 700 milhões de consumidores.

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Fonte: Economia UOL

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