O setor de cervejas no Brasil entrou em alerta após os dados do IBGE, divulgados em 4 de setembro, apontarem queda de 15% na produção industrial de bebidas em julho, na comparação anual, e retração de 5% no trimestre. Como 90% desse segmento é composto por cervejas, a notícia impactou diretamente a Ambev (ABEV3), que viu suas ações caírem 3% no dia da divulgação, embora tenham se recuperado parcialmente no pregão seguinte, com alta de 2,18%.
Estratégia de preços em foco
De acordo com relatório do BTG Pactual, o primeiro semestre de 2025 foi marcado por um aumento de preços praticado tanto pela Ambev quanto pela Heineken. Para os analistas, o movimento, ocorrido em um período sazonalmente mais fraco, chamou atenção pelo timing considerado desfavorável.
“Não podemos ignorar o quanto nos incomodou a estratégia de preços do setor, liderada pela Ambev”, comentou o time liderado por Thiago Duarte.
Com o clima mais frio, já característico do segundo trimestre, e um aumento inesperado de preços, os volumes caíram ainda mais.
Desafios adicionais: economia e concorrência
O BTG aponta que a desaceleração da economia brasileira começa a impactar o consumo, o que deve ampliar a pressão sobre a Ambev nos próximos trimestres. Além disso, o avanço de concorrentes como Heineken e Grupo Petrópolis intensifica a disputa de mercado, especialmente em volume de vendas.
Outros bancos seguem visão semelhante. Bradesco BBI e Safra destacam que o espaço para novos reajustes de preços é bastante limitado diante do cenário competitivo. Já o Goldman Sachs reforça uma tendência estrutural: a mudança nos hábitos das gerações mais jovens, que têm adotado estilos de vida mais saudáveis e reduzido o consumo de álcool.
Recomendações dos analistas
No campo das recomendações, prevalece a cautela:
- BTG Pactual, Bradesco BBI e Safra: recomendação neutra, com preços-alvo de R$ 15, R$ 13 e R$ 14,50, respectivamente.
- Goldman Sachs: recomendação de venda, com preço-alvo em R$ 11,70.
O consenso reforça o cenário desafiador para a Ambev, que enfrenta pressão de margens, custos crescentes de matéria-prima e mudanças no perfil de consumo.
Fonte: Seu dinheiro







