Conteúdo originalmente publicado pela AG Feed
Enquanto aguardam a aprovação do Cade para a criação da MBRF — prevista para o fim de setembro — BRF e Marfrig divulgaram seus resultados do segundo trimestre. Apesar de ambas registrarem lucro e alta de receita, os números caminharam em direções distintas: a BRF viu seu lucro cair, enquanto a Marfrig teve crescimento.
BRF: impacto da gripe aviária
A BRF fechou o trimestre com lucro líquido de R$ 735 milhões, uma queda de cerca de 40% em relação ao mesmo período de 2024. A receita líquida subiu 3%, chegando a R$ 15,4 bilhões, mas o Ebitda recuou 4%, somando R$ 2,5 bilhões.
Segundo o CEO Miguel Gularte, a empresa viveu dois momentos no trimestre: um início sem sobressaltos e, na segunda metade, restrições nas exportações devido a um caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul. Países como China, Europa, Chile e Arábia Saudita suspenderam temporariamente a compra de produtos. Apenas a Arábia Saudita já retomou as importações.
O segmento internacional foi o mais afetado, com queda de 5% na receita (R$ 6,7 bilhões) e recuo de 21% no Ebitda. A empresa buscou mercados alternativos e reforçou as vendas no Brasil para compensar as perdas.
No mercado interno, o desempenho foi positivo: crescimento de 6% no volume, com destaque para processados, que atingiram recorde histórico para um segundo trimestre. A BRF encerrou junho com 330 mil clientes ativos e dívida líquida de R$ 4,7 bilhões, o menor patamar desde 2011.
Marfrig: força na América do Sul
A Marfrig, maior acionista da BRF, reportou lucro líquido de R$ 85 milhões, alta de 13% na comparação anual. A receita líquida cresceu 8,6%, alcançando R$ 37,7 bilhões, e o Ebitda se manteve estável, em R$ 3 bilhões.
O destaque foi a operação na América do Sul, que registrou aumento de quase 10% na receita, impulsionada pelo crescimento de 7,8% no volume vendido e pela demanda externa — especialmente de China e Europa. As exportações representaram 55% da receita regional.
Na América do Norte, a Marfrig obteve receita de US$ 3,26 bilhões, alta de 5,3%, mesmo com o ciclo desfavorável do gado nos EUA. A empresa reforçou o foco em produtos de maior valor agregado e eficiência operacional.







