A Cargill suspendeu temporariamente as exportações de soja do Brasil para a China após mudanças no sistema de inspeção fitossanitária adotado pelo Ministério da Agricultura. A medida foi confirmada pelo presidente da empresa no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, em declaração à Reuters durante a Argentina Week 2026, conferência realizada em Nova York.
Segundo o executivo, o governo brasileiro passou a aplicar uma fiscalização mais rigorosa sobre a soja destinada ao mercado chinês, após solicitação das autoridades da China. O novo procedimento alterou a forma de coleta de amostras utilizadas para verificar a qualidade do grão antes do embarque, o que tem gerado dificuldades para que traders cumpram os requisitos necessários para a emissão dos certificados fitossanitários.
No modelo tradicional utilizado pelo mercado de grãos, as inspeções são feitas com base em amostras padrão. Agora, o Ministério da Agricultura passou a realizar sua própria amostragem, o que tem provocado divergências nos resultados das análises. Quando há discrepâncias, os certificados fitossanitários — documentos obrigatórios para a entrada da carga no destino — deixam de ser emitidos. Sem esse documento, os navios não podem descarregar a soja na China.
Diante desse cenário, além de interromper temporariamente os embarques para o país asiático, a Cargill também suspendeu a compra de soja no mercado brasileiro. A empresa é uma das maiores exportadoras do grão no país, e a decisão aumenta a preocupação no setor sobre possíveis impactos no fluxo de exportações.
Segundo Sousa, alguns navios que originalmente tinham a China como destino já precisaram ser redirecionados para outros mercados. Caso não haja uma solução rápida para o impasse regulatório, existe o risco de paralisação mais ampla das exportações brasileiras de soja para o principal comprador mundial da oleaginosa.
O tema está sendo discutido entre o Ministério da Agricultura, liderado por Carlos Fávaro, e entidades do setor, como a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). As conversas buscam definir um procedimento consensual para a coleta de amostras e classificação da soja.
A Anec afirmou em nota que os exportadores estão preocupados com a adaptação ao novo sistema, especialmente em um momento de pico nas exportações brasileiras. A entidade informou que segue em diálogo com o governo e acompanha a evolução das negociações.
A China é responsável por cerca de 80% das exportações brasileiras de soja, consolidando-se como o principal destino do produto. O Brasil, por sua vez, é o maior produtor e exportador global da commodity.
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Fonte: G1







