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Heineken reajusta preços e aquece disputa no mercado de cervejas

divulgação

A partir de julho, a Heineken iniciou um reajuste de 6% nos preços de suas cervejas no Brasil. O movimento, divulgado pelo colunista Lauro Jardim (O Globo), marca a primeira alteração após mais de um ano de estabilidade — e já tem reflexos visíveis no mercado. No mesmo dia do anúncio, as ações da Ambev (ABEV3) subiram 1,8% por volta das 13h30, liderando as altas do Ibovespa, que operava em queda de 0,5%.

O aumento da Heineken ocorre meses depois da movimentação semelhante feita pela Ambev, logo após o Carnaval. Embora o timing dos reajustes chame atenção, especialistas ponderam que isso não configura, ao menos por ora, uma mudança profunda nas dinâmicas competitivas do setor.

Segundo o Bradesco BBI, a Heineken nunca se destacou pela agressividade nos preços — seu foco tem sido o ganho de volume e participação de mercado. O novo reajuste pode refletir avanços recentes justamente nesses dois pontos, especialmente após a Ambev ter elevado seus preços. Para os analistas, o fato de a Heineken ter aguardado a ação da líder de mercado pode indicar uma inflexão estratégica: um ambiente de precificação mais racional e alinhado entre os principais players.

Esses movimentos acontecem em um cenário desafiador para a indústria cervejeira no Brasil, com sinais de desaceleração e menor contribuição das operações internacionais para o desempenho da Ambev.

Impactos para o foodservice

Para bares, restaurantes e demais operadores do setor, o cenário aponta para uma possível estabilização de preços — ao menos no curto prazo — e aumento da competição no segmento “mainstream”, onde a disputa entre Ambev e Heineken se intensifica. A decisão da Heineken, que tradicionalmente se posiciona como marca premium, de focar mais agressivamente nesse nicho pode gerar efeitos tanto na escolha dos distribuidores quanto na percepção do consumidor final.

O desempenho futuro das ações da Ambev, segundo o banco, dependerá da capacidade da companhia de combinar aumento de preços com crescimento de volume — algo ainda incerto, mas fundamental para a recuperação de margens. A expectativa do Bradesco BBI é de que, mesmo com margens estáveis em 2025, o valuation da empresa (com P/L projetado de 14,5x) só se torne mais atrativo com uma retomada clara do crescimento dos lucros.

Fonte: Exame

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