A poucos dias do prazo para a entrada em vigor do tarifaço anunciado por Donald Trump, o governo brasileiro vê uma possível trégua vindo… do café da manhã norte-americano. Diante da alta dos preços de itens como café, suco de laranja e hambúrguer — todos com forte presença no dia a dia dos EUA — cresce a expectativa de que a pressão inflacionária possa frear a escalada tarifária planejada por Washington.
Para auxiliares do presidente Lula, a dependência dos Estados Unidos em relação a produtos brasileiros — como os 70% de suco de laranja e 25% do café importado do Brasil, segundo a agência Moody’s — pode tornar a sobretaxa politicamente desgastante para Trump. A preocupação: elevar o custo de vida do consumidor norte-americano em plena corrida eleitoral.
Internamente, o governo brasileiro enfrenta outro desafio: a falta de canais de diálogo com a gestão Trump. Desde que o presidente norte-americano assumiu diretamente a condução das negociações, pontes diplomáticas foram desfeitas. Segundo relatos publicados pela Exame, nem propostas formais enviadas por autoridades brasileiras — como Geraldo Alckmin e Mauro Vieira — obtiveram resposta até agora.
Com as vias diplomáticas bloqueadas, a estratégia agora é acionar o setor privado. Empresários brasileiros estão sendo estimulados a buscar suas contrapartes nos EUA para pressionar contra o tarifaço. O governo também aposta no lobby corporativo norte-americano e no apoio político de parlamentares: uma missão com oito senadores brasileiros deve seguir aos EUA no fim de julho com a meta de reabrir as negociações.
Enquanto isso, o impacto pode se refletir diretamente nos cardápios: se o café encarecer, o laranja sumir e o hambúrguer pesar no bolso, a conta pode chegar também ao gabinete presidencial da Casa Branca.
Fonte: Exame







