FoodBiz

Inflação e alimentos importados: dólar alto pressiona preços nas prateleiras

A valorização do dólar frente ao real voltou a ocupar o centro das discussões no foodservice e no varejo alimentar. O câmbio elevado tem ampliado a pressão inflacionária sobre os alimentos, especialmente aqueles importados ou que dependem de insumos cotados em moeda estrangeira, com reflexos diretos nas prateleiras dos supermercados e no planejamento das empresas do setor.

No dia a dia do varejo, esse movimento se traduz em aumentos concentrados em categorias específicas e em uma gestão de preços cada vez mais complexa. Custos de reposição mais altos, menor previsibilidade e negociações mais duras com fornecedores passam a fazer parte da rotina das áreas de compras e comercial.

O impacto do dólar não se restringe apenas aos produtos importados. Itens produzidos no Brasil também sofrem pressão quando utilizam matérias-primas dolarizadas ou quando competem com o mercado externo. Nesse contexto, a inflação ganha força à medida que a oferta interna diminui e os custos aumentam, afetando margens e estratégias de abastecimento.

Segundo Gabriel Giacri, diretor da Nuty Açaí, o efeito do câmbio vai além do custo direto de importação. “A alta do dólar impacta diretamente os preços nas prateleiras, porque encarece tudo que é importado ou que depende de insumos cotados em moeda estrangeira. Além disso, o dólar alto torna a exportação mais atrativa, então muitos fornecedores preferem vender para fora do Brasil do que abastecer o mercado interno”, explica.

Essa dinâmica reduz a disponibilidade de produtos no país e acaba elevando os preços ao consumidor final. “Com isso, sobra menos produto aqui dentro e os preços sobem, afetando itens como o açaí, o açúcar e outras commodities”, completa o executivo. No caso do açaí, a forte demanda internacional torna a matéria-prima ainda mais sensível às oscilações cambiais e às variações no fluxo de exportações.

Para o setor supermercadista, o cenário exige decisões estratégicas tanto no curto quanto no médio prazo. A recomposição de estoques passa a ser feita com mais cautela, enquanto surgem alternativas como a diversificação de origens, a substituição de marcas no sortimento e a revisão do mix de produtos mais expostos à volatilidade cambial.

.
Fonte: Supervarejo

Compartilhar