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MBRF lucra menos em 2025, mas vê vantagem com guerra no Oriente Médio

A MBRF encerrou 2025 com resultados pressionados, mas com uma estratégia que pode colocá-la em posição favorável em um cenário internacional instável.

A companhia, uma das maiores produtoras de proteína do mundo e dona de marcas como Sadia e Perdigão, reportou lucro líquido de R$ 91 milhões no quarto trimestre de 2025 — uma queda de 91,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impactado principalmente pelo aumento das despesas financeiras e pelos custos ligados à reestruturação e à fusão entre Marfrig e BRF.

O Ebitda ajustado somou R$ 3,41 bilhões no período, recuo de 9,1% na comparação anual, em linha com o esperado pelo mercado.

No acumulado do ano, a receita líquida cresceu 11,9%, alcançando um recorde de R$ 163,96 bilhões. Ainda assim, o lucro anual caiu 77,9%, para R$ 358 milhões. Entre os fatores que pressionaram o resultado estão os impactos da gripe aviária no Brasil — que afetaram exportações — e a menor rentabilidade da operação de carne bovina nos Estados Unidos, onde a oferta restrita de gado reduziu margens.

Apesar do cenário desafiador, a empresa avalia que está bem posicionada para enfrentar os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, região estratégica para suas exportações. Segundo o CEO Miguel Gularte, a antecipação logística foi determinante: a companhia transferiu estoques para mercados-chave, garantindo abastecimento e reduzindo riscos operacionais.

Esse movimento, inicialmente motivado por precauções sanitárias, acabou se tornando uma vantagem competitiva diante do conflito. Com presença na região desde a década de 1970, a MBRF destaca seu conhecimento logístico local como diferencial para manter a distribuição sem grandes impactos.

Outro ponto relevante é o cenário de demanda. A tensão geopolítica tem elevado a procura por alimentos e favorecido o repasse de preços, inclusive absorvendo o aumento dos custos de frete — impulsionados pela alta do petróleo e pelas chamadas “taxas de guerra”.

Além do Oriente Médio, outros mercados seguem sustentando a operação. A empresa destaca a demanda consistente da China, que continua sendo um dos principais motores globais de consumo de proteína, e vê equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de frango para 2026.

Com mais de 200 novas habilitações para exportação nos últimos anos, a MBRF também ampliou sua flexibilidade comercial, diversificando destinos e reduzindo dependências regionais.

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Conteúdo publicado no Portal Terra e adaptado para o Foodbiz

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