A Nestlé, uma das maiores companhias de alimentos e bebidas do mundo, anunciou um corte de 16 mil empregos como parte de uma ampla reestruturação conduzida pelo novo CEO, Philipp Navratil. A medida representa cerca de 6% do total de funcionários e tem como objetivo reduzir custos e acelerar a recuperação financeira da empresa.
Com a mudança, a Nestlé elevou sua meta de economia de 2,5 bilhões para 3 bilhões de francos suíços até 2027, em um movimento que sinaliza a busca por maior eficiência em meio a um cenário desafiador para a indústria global de alimentos.
Apesar de grande parte da produção da companhia estar concentrada nos Estados Unidos, as tarifas de importação e o aumento dos custos de matérias-primas — como café e cacau — têm pressionado os resultados. Ao mesmo tempo, as mudanças nos hábitos de consumo, com consumidores mais atentos à saúde e à sustentabilidade, exigem novas estratégias.
A reestruturação prevê o corte de 12 mil vagas administrativas e outras 4 mil nas áreas de produção e logística, focando na simplificação de processos e no fortalecimento das áreas mais rentáveis. Entre as marcas do grupo estão Nespresso, KitKat e Maggi, que seguem como pilares de desempenho global.
Segundo Navratil, a Nestlé “precisa se adaptar rapidamente às novas dinâmicas de mercado”. O executivo assumiu o comando após um período de instabilidade, marcado pela saída do ex-CEO Laurent Freixe e pela substituição do presidente Paul Bulcke. Desde o anúncio do plano, as ações da companhia registraram alta de 8%, refletindo a confiança do mercado na nova direção.
Mesmo com os ajustes, a Nestlé manteve suas projeções para 2025, prevendo crescimento orgânico nas vendas e uma margem operacional acima de 16%. O foco agora é fortalecer as operações de bebidas premium, vitaminas e suplementos, segmentos que, segundo a empresa, ainda têm potencial de expansão.
O caso da Nestlé evidencia como as multinacionais do foodservice estão buscando novas rotas de crescimento em um ambiente de custos altos, margens pressionadas e consumidores cada vez mais exigentes — um movimento que merece atenção do setor.
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Fonte: Exame







