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Ozempic favorece farmácias e pressiona alimentos

Ozempic muda o jogo do consumo: farmácias ganham, snacks e cervejas perdem

A ascensão das canetas para emagrecimento, como o Ozempic, começa a redesenhar não apenas hábitos individuais, mas também dinâmicas inteiras de consumo no Brasil. A análise do Itaú BBA aponta para um claro deslocamento de gastos, com vencedores e perdedores bem definidos.

O que se observa é um verdadeiro cabo de guerra no consumo: enquanto farmácias e proteínas ganham tração, categorias como bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados começam a sentir os efeitos da mudança de comportamento.

Farmácias no centro do crescimento

O varejo farmacêutico surge como o principal beneficiário desse movimento. Redes como RD Saúde (Drogasil e Raia), Pague Menos e Panvel estão bem posicionadas para capturar o aumento da demanda.

Segundo as estimativas, até 2030, os medicamentos para controle de peso podem representar cerca de 20% da receita dessas empresas, um salto expressivo em relação aos atuais 8% a 9%.

No cenário mais otimista, o lucro por ação dessas companhias pode crescer até 15% já em 2027, reforçando o peso estrutural dessa categoria no setor.

Indústria nacional entra no jogo

A indústria farmacêutica brasileira também se prepara para surfar essa onda. A Hypera, dona da Neo Química, deve entrar nesse mercado com mais força a partir da queda da patente da semaglutida, prevista para o primeiro semestre de 2026.

A companhia trabalha no desenvolvimento de um produto próprio com o mesmo princípio ativo do Ozempic, mirando as margens elevadas que os genéricos podem oferecer.

Proteínas ganham espaço no carrinho

Um vencedor menos óbvio, mas relevante, é o setor de proteínas animais. A explicação é fisiológica: usuários desses medicamentos precisam aumentar a ingestão de carnes e ovos para evitar a perda de massa muscular.

Esse comportamento tende a favorecer açougues, frigoríficos e produtores de proteína no médio e longo prazo, criando um novo vetor de crescimento dentro do varejo alimentar.

Snacks, doces e álcool sob pressão

Do outro lado do balcão, o sinal de alerta está aceso. Estudos nos Estados Unidos indicam que usuários das canetas de emagrecimento reduzem a ingestão calórica diária em até 40%.

O corte começa pelos itens considerados supérfluos:

  • salgadinhos;
  • doces e biscoitos;
  • bebidas alcoólicas.

Esse impacto tende a aparecer diretamente na última linha do balanço.

Em um cenário de adoção mais agressiva no Brasil, empresas como Ambev, M. Dias Branco e Camil poderiam registrar uma queda de cerca de 2% no lucro líquido em 2027, segundo o Itaú BBA.

Atacarejo também sente o efeito

Nem mesmo o atacarejo passa ileso. O Assaí já sinalizou que o avanço das canetas representa um obstáculo real ao crescimento das vendas nas mesmas lojas, refletindo mudanças estruturais no carrinho do consumidor.

Uma mudança que vai além da saúde

O fenômeno Ozempic mostra que estamos diante de algo maior do que uma tendência de bem-estar. Trata-se de uma reorganização do consumo, com impactos diretos em varejo, indústria, food service e mercado financeiro.

Quem entender esse novo padrão mais cedo terá vantagem. Quem ignorar, corre o risco de ficar do lado errado desse cabo de guerra.

Fonte: CNN

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