A Páscoa não apenas intensifica o consumo de chocolates e doces no Brasil, mas também acelera indicadores de marca no setor. Levantamento da YouGov, multinacional especialista em pesquisa online, mostra que o período pode elevar métricas como recomendação e visibilidade em mais de 10 pontos, ao mesmo tempo em que evidencia o papel central das classes C e B no volume de consumo e das classes mais altas na geração de valor.
Principais destaques do estudo:
- Classes C e B concentram a maior parte dos consumidores de doces no Brasil
- Consumidores de maior renda são até 70% mais propensos a pagar por produtos artesanais
- Mais de 65% dos consumidores de alta renda descobrem novos produtos via plataformas digitais
- Indicadores de marca podem crescer mais de 10 pontos no período da Páscoa
De acordo com a ferramenta YouGov Profiles, o consumo de doces no Brasil está amplamente concentrado nas camadas intermediárias da população. Entre os consumidores:
- 28,95% pertencem à classe C1
- 25,42% à B2
- 19,09% à C2
- 12,88% à B1
Juntas, essas faixas representam a maior parte do mercado, enquanto as classes D-E (8,07%) e A (5,59%) aparecem com menor participação em volume.
Apesar disso, o comportamento de consumo revela diferenças importantes em termos de valor. Entre consumidores da classe A, 64,9% afirmam estar dispostos a pagar mais por produtos artesanais, contra 38,3% nas classes B e C. O dado indica que, embora o middle market sustente o volume, a busca por produtos premium encontra maior espaço nas faixas de maior renda. Ao mesmo tempo, a busca por preço competitivo permanece elevada em todos os segmentos, refletindo um consumidor cada vez mais seletivo.
O recorte por gênero mostra leve predominância feminina, com 50,9% dos consumidores de doces sendo mulheres, frente a 49,1% de homens.
No ambiente digital, esse público apresenta forte presença nas principais plataformas:
- 90,34% usam WhatsApp
- 87,65% YouTube
- 81,31% Instagram
Facebook (69,23%), TikTok (50,42%) e Telegram (44,11%) aparecem na sequência, seguidos por outras redes como Pinterest, LinkedIn e X.
Mais do que presença, os dados mostram que o digital desempenha papel ativo na descoberta de novos produtos. Entre consumidores de doces da classe A:
- 75,96 encontram em mercados de compras online
- 65,3% descobrem produtos por anúncios em sites ou redes sociais
- 40,0% por meio de reviews online
- 26,6% por influenciadores
Nas classes B e C, os percentuais também são elevados, reforçando que o ambiente digital não apenas concentra audiência, mas influencia diretamente a experimentação e a escolha de produtos.
Os dados de BrandIndex da YouGov mostram ainda que o período da Páscoa pode impulsionar significativamente indicadores de marca. Entre as marcas analisadas, Garoto apresentou o sinal sazonal mais consistente em 2024 e 2025. O indicador de Word of Mouth da marca saiu de patamares próximos a 20 pontos para cerca de 35 pontos no período, um avanço superior a 10 pontos. Métricas como Buzz e Consideration também registraram crescimento, com aumentos na ordem de 5 a 8 pontos no entorno da data.
Outras marcas do setor também apresentaram movimentações positivas, ainda que menos intensas. No caso de Kit Kat, por exemplo, houve elevação de Buzz e Ad Awareness no período pré-Páscoa, reforçando o papel da data como catalisador de visibilidade e intenção de consumo.
Para marcas de alimentos, varejo e campanhas sazonais, os dados indicam que a Páscoa funciona não apenas como um pico de consumo, mas como um acelerador da dinâmica de marca, ampliando visibilidade, recomendação e intenção de compra em um curto espaço de tempo.
“Os dados mostram que a Páscoa é um momento estratégico não só para vendas, mas para construção de marca. As empresas que conseguem combinar presença digital, relevância cultural e propostas de valor adequadas a diferentes perfis de consumidor tendem a capturar melhor essa oportunidade”, afirma David Eastman, Managing Director da YouGov América Latina.
Metodologia
Os dados são provenientes das plataformas YouGov Profiles e YouGov BrandIndex. Profiles analisa atitudes, comportamentos e hábitos de consumo de mais de 60 mil brasileiros ao longo das últimas 52 semanas, enquanto o BrandIndex acompanha continuamente a percepção dos consumidores sobre mais de 700 marcas ativas no país, com base em 16 indicadores-chave de desempenho. A análise é baseada em uma amostra nacionalmente representativa de adultos brasileiros.
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Fonte: Assessoria







