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Preço do açaí sobe quase 10% e puxa a chamada “inflação do verão”, aponta FGV

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Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgada pela Rádio CBN mostra que a chamada “inflação do verão” acumulou alta de 4,15% em um ano. O levantamento tem como base o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), indicador utilizado pela FGV para medir a inflação no país.

O maior impacto veio dos itens consumidos fora de casa, que registraram aumento médio de 7,35%, percentual bem acima do IPC de 2025, que fechou em 4%. Entre os produtos que mais pressionaram os preços está o açaí, que teve alta de 9,17% no período.

Também ficaram acima da média inflacionária os preços dos sucos de frutas, com avanço de 8,75%, além de refrigerantes e água, que subiram 6,84%. Já cervejas e chopes tiveram reajuste de 4,96%, segundo os dados da FGV.

Consumidores ouvidos pela Rádio CBN relatam que os aumentos têm pesado no orçamento, especialmente durante o verão, quando cresce o consumo desses itens. Na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, frequentadores também perceberam alta nos preços de produtos como sorvetes, que acumularam elevação de 5,33% no período analisado.

De acordo com o economista da FGV e responsável pelo estudo, André Braz, o cenário é influenciado por uma combinação de fatores. O desemprego em níveis historicamente baixos aumenta a demanda por serviços e produtos, enquanto o verão impulsiona temporariamente o consumo, especialmente em regiões turísticas.

Além disso, o calor extremo impacta a produção agrícola, reduzindo a oferta de frutas e elevando os custos de itens como sucos naturais. “Você tem custos aumentando de um lado e uma demanda mais forte do outro, o que acaba pressionando ainda mais os preços”, explica o economista à Rádio CBN.

Na contramão da alta dos alimentos e bebidas, os eletrodomésticos associados ao verão apresentaram queda média de 1,16%. Os aparelhos de ar-condicionado, por exemplo, ficaram 1,61% mais baratos. Segundo Braz, a retração está ligada à dificuldade de acesso ao crédito em um cenário de juros elevados, o que reduz a demanda por bens duráveis.

Conteúdo adaptado pelo Portal Foodbiz a partir de matéria da Rádio CBN.

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