FoodBiz

Premiumização avança em todas as categorias e a carne não pode ficar para trás

O mercado deixou um sinal claro: todas as categorias estão premiumizando. O movimento começa nos produtos mais simples, mas não para neles. Ao longo do tempo, as indústrias aprenderam a agregar valor — e, junto com isso, a ressignificar preço.

O picolé deixou de ser apenas refresco para incorporar ingredientes sofisticados e proposta de experiência. O milho virou gourmet, com grãos selecionados, embalagens elaboradas e comunicação focada em ocasião de consumo. Até produtos historicamente tratados como básicos passaram a disputar valor percebido, não apenas volume.

A água de coco seguiu o mesmo caminho. Rebranding, edições limitadas e novas embalagens ajudaram a construir diferenciação. O leite deixou de ser commodity e passou a vender benefício: conforto digestivo, funcionalidade e bem-estar. Até a batata ganhou status premium — hoje, chips com azeite trufado não causam estranhamento algum.

Granolas entenderam rápido o consumidor atual: menos açúcar, ingredientes mais nobres, mais proteína e, como consequência, maior valor percebido. As barras evoluíram além da proteína, incorporando colágeno, blends funcionais e uma comunicação claramente aspiracional.

O padrão é o mesmo em todas as categorias. O consumo deixou de ser guiado apenas por preço e passou a ser orientado por qualidade, diferenciação, propósito e experiência. O consumidor mudou — e quem acompanhou essa mudança deixou de vender produto para vender significado.

Diante desse cenário, a pergunta se impõe: e a carne que você vende, evoluiu também?
Se praticamente todas as categorias sofisticaram sua proposta, por que a carne ainda permanece, em muitos casos, presa à lógica de commodity?

Mas é importante separar discurso de execução. Premiumizar carne não é apenas trocar embalagem ou criar um storytelling vazio. Premiumização exige qualidade real, padronização, constância e domínio técnico de processos. Pressupõe leitura de mercado, entendimento profundo do consumidor e uma estratégia clara de posicionamento.

Prometer experiência sem sustentação na entrega não gera valor — gera frustração. No novo jogo do consumo, o valor percebido nasce quando produto, processo, narrativa e experiência caminham juntos.

Fonte: cris.rabaioli

Compartilhar