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Trump ameaça tarifar países alinhados ao Brics

DIVULGAÇÃO

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a movimentar o cenário global com declarações que acentuam as incertezas no comércio internacional. Em publicação recente na plataforma Truth Social, Trump afirmou que pretende aplicar uma tarifa adicional de 10% a qualquer país que se alinhe com o que chamou de “políticas antiamericanas do Brics”.

“Qualquer país que se alinhe com as políticas antiamericanas do Brics será cobrado com uma tarifa ADICIONAL de 10%. Não haverá exceções a essa política”, afirmou.

A ameaça ocorre em meio à expectativa de envio de novas cartas tarifárias a dezenas de nações nos próximos dias. A pausa de 90 dias que suspendeu aumentos de tarifas deve expirar nesta semana, e as novas medidas devem começar a ser comunicadas a partir do meio-dia de segunda-feira, segundo o próprio Trump.

Reações do mercado e impactos potenciais

Logo após a publicação, os mercados financeiros reagiram: o dólar subiu 0,2%, os preços dos metais caíram e o yuan chinês sofreu desvalorização. Os futuros de ações europeias, por outro lado, mantiveram-se estáveis.

Embora Trump não tenha detalhado quais políticas considera “antiamericanas”, analistas interpretam o movimento como uma resposta ao posicionamento recente dos países do Brics sobre temas geopolíticos sensíveis, como o conflito em Gaza.

O grupo — formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — realizou uma cúpula no fim de semana anterior. Na declaração conjunta, os líderes criticaram medidas protecionistas, destacando preocupação com “tarifas unilaterais que distorcem o comércio e contrariam as regras da OMC”.

Riscos para o comércio global e o setor de alimentos

A possível adoção de novas tarifas por parte dos EUA pode gerar instabilidade especialmente entre países emergentes que mantêm laços comerciais com Washington e, ao mesmo tempo, participam do Brics — como o Brasil.

No setor de alimentos e foodservice, essas tensões podem impactar diretamente os custos de importação de insumos, a cadeia de suprimentos e o planejamento de expansão internacional de grandes redes. Em momentos de instabilidade tarifária, empresas do setor tendem a rever contratos, buscar fornecedores locais e reforçar estratégias de diversificação de mercados.

Mingze Wu, trader da StoneX em Singapura, resumiu o clima de cautela: “Os comentários de Trump são um tiro de advertência para as nações de mercados emergentes que pretendem seguir o caminho do alinhamento com os Brics”.



Fonte: Bloomberg Línea

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