O debate sobre o poder de compra do trabalhador ganhou um novo recorte: o valor do vale-refeição já não acompanha o custo real de se alimentar, especialmente fora de casa. Dados recentes mostram que a pressão vem de longe — e continua crescendo.
Segundo levantamento citado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), São Paulo é hoje a capital onde o trabalhador precisa dedicar mais horas de trabalho para comprar itens da cesta básica. Na prática, isso significa que mais da metade do salário mínimo já é comprometida com alimentação.
O impacto também aparece no foodservice. O tradicional “prato feito”, por exemplo, registrou preço médio de cerca de R$ 30 em janeiro — um valor que pressiona ainda mais quem depende do vale-refeição no dia a dia.
De acordo com o economista Rodrigo Simões, professor da Faculdade do Comércio, o cenário é resultado de uma defasagem acumulada. Nos últimos 15 anos, o salário mínimo cresceu 178%, enquanto a inflação da cesta básica ultrapassou 200%.
Quando o olhar se volta para o consumo fora do lar, a conta fica ainda mais apertada. “O prato feito tem ficado cada vez mais caro e, em comparação com o valor médio do vale-refeição, está bem abaixo do ideal”, explica.
A estimativa da instituição é direta: para garantir uma alimentação adequada em restaurantes, bares e estabelecimentos de todo o país, o valor mensal do vale-refeição deveria girar em torno de R$ 700.
Para o setor de foodservice, o dado ajuda a dimensionar um ponto crítico: o descompasso entre renda disponível e custo da refeição impacta diretamente a frequência do consumidor e o ticket médio — dois indicadores-chave para o desempenho do mercado.
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Fonte: R7








