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Varejo alimentar recua em fevereiro, mas acumula alta no ano

 Varejo alimentar retrai em vendas em fevereiro, mas volume acumulado no ano é superior a 2025

Queda nas vendas foi puxada por bebidas, especialmente as consumidas no calor, impactadas por temperaturas mais amenas em comparação a fevereiro do ano passado

Após um janeiro que trouxe algum fôlego ao varejo, com estabilidade em unidades vendidas e alta de 3% no faturamento em relação ao mesmo mês de 2025, o setor registrou estabilidade de faturamento em fevereiro, com leve avanço de 0,2% na comparação anual, e queda de 3% nas unidades vendidas, mesmo com o Carnaval ocorrendo no mês, enquanto, no ano passado, a data caiu em março. Ainda assim, o volume vendido acumulado no ano permanece acima do registrado nos dois primeiros meses de 2025.

Os dados são do Radar Scanntech e mostram ainda que o fluxo de consumidores em loja reduziu -4,5% no mês e o aumento médio de preço por unidade ficou em 3,3%, sustentando o faturamento. “Chama a atenção a retração em unidades no acumulado do ano, que vem sendo compensada pelo aumento no tamanho das embalagens, sustentando as vendas em volume. Esse movimento sugere uma maior capacidade de desembolso por parte do consumidor e um comportamento mais racional de compra, já que embalagens maiores costumam oferecer melhor preço por quilo. Também pode refletir o aumento de ocasiões de consumo e encontros sociais, que favorecem a escolha por formatos maiores”, afirma Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.

O levantamento mostra, ainda, que os supermercados sustentaram o desempenho do setor, registrando alta de 1,5% em faturamento, apesar da queda de 1,6% em unidades, com destaque para os formatos menores. Lojas de 5 a 9 checkouts cresceram 1,7% em faturamento, enquanto as de até 4 checkouts avançaram 1,5%. Já o atacarejo seguiu pressionado ao longo do mês, com queda de 2,3% em faturamento e de 5,7% em unidades. Todos os dados correspondem à comparação entre as mesmas lojas, desconsiderando aquelas que encerraram ou iniciaram operação no período.

Categorias associadas ao calor tiveram maior retração

As bebidas foram o principal vetor negativo do mês, com queda de -8,4% em unidades vendidas e faturamento praticamente estável (+0,5%), sustentado pelo aumento do preço médio (+9,8%). O Radar Scanntech mostra que a retração foi liderada por categorias associadas ao consumo no calor: sucos recuaram 10,7% em faturamento e 15,4% em unidades, refrigerantes caíram 3,5% em valor e 7,0% em unidades, e cervejas registraram queda de 3,4% em faturamento e de 12,0% em unidades.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), fevereiro de 2025 enfrentou anomalia de temperatura em grande parte das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, com média até 2ºC mais quente que o normal para o mês. Já em 2026, essas mesmas regiões se mantiveram dentro do esperado em temperatura para o mês ou mais frias que o normal, impactando o consumo.

Na contramão da tendência geral, categorias associadas a novas ocasiões de consumo e socialização apresentaram forte crescimento: aperitivos avançaram 21,3% em faturamento, enquanto as misturas alcoólicas prontas para beber, os “ready to drink”, cresceram 19,7% em valor e 15% em unidades.

Fora bebidas, a Mercearia Básica foi a única cesta a registrar retração expressiva em faturamento (–10,3%). Itens essenciais como arroz (–35,3% de faturamento), açúcar (–21,7%) e leite líquido (–15,8%) tiveram os piores resultados, aponta o relatório. Mesmo diante de uma forte redução no preço médio da cesta (–9,5%), puxada pela queda do preço por volume, o consumo em unidades também recuou 0,9%, reforçando que a queda nos preços de itens básicos não foi suficiente para estimular o crescimento do consumo em volume, comportamento já observado ao longo dos meses de 2025.

O desempenho positivo foi puxado pela categoria Pet, que cresceu 3,9% em unidades e 3,6% em faturamento, e pela Mercearia, que avançou 4,0% em valor, impulsionada por itens como sardinha enlatada (+46,3% em faturamento), suplementos para academia (+33,1%) e papinha (+25,5%).

Carnaval

De 13 a 18 de fevereiro de 2026, período de Carnaval, na comparação com os dias equivalentes de 2025, o varejo alimentar registrou retração de 13,4% no faturamento e de 18,2% nas unidades vendidas. Descontado o efeito calendário, que representa, isoladamente, cerca de 13,5% de diferença entre as semanas, a retração real nas unidades durante o feriado seria de aproximadamente 4,7%.

O atacarejo foi o canal com maior retração durante o Carnaval, com queda de 22,1% em faturamento e de 24,8% em unidades no período da festividade. Já os supermercados de 1 a 4 checkouts tiveram o desempenho menos negativo (–9,7% em faturamento). Regionalmente, MG, RJ e ES apresentaram maior resiliência durante o Carnaval (–8,8% em faturamento), enquanto Sul (–19,4%) e Norte (–18,1%) concentraram as maiores quedas.

A data da comemoração impactou o desempenho, segundo Felipe Passarelli. Isso porque, em 2025, o Carnaval aconteceu na primeira semana do mês de março, período historicamente de maior venda em supermercados e atacarejos. Já este ano, a efeméride foi comemorada na metade do mês, quando muitos brasileiros já gastaram boa parte de seus pagamentos.

“Quando o Carnaval acontece no início do mês, o varejo se beneficia de um consumidor com maior disponibilidade de renda logo após o recebimento do salário. Em 2025, a data coincidiu com esse momento, o que também mistura o efeito do abastecimento do mês com o das compras para a festa. Períodos de festa mais próximos às datas comuns de pagamento de salário tendem a estimular um consumo maior”, afirma Passarelli.

O destaque positivo do período foi a categoria de aperitivos, único segmento a crescer na comparação com o Carnaval de 2025, com alta de 2,8% em faturamento, consolidando uma tendência de expansão observada ao longo do ano.

Fonte: assessoria

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