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Congelados ganham espaço no carrinho dos consumidores nos EUA

Sam Silverstein/Food Dive

Os alimentos congelados estão conquistando uma relação cada vez mais próxima com os consumidores norte-americanos. Um novo relatório mostra que a categoria cresceu de forma significativa nos últimos anos — movimento impulsionado, em parte, pelo cenário econômico mais desafiador e pela busca por soluções que ajudem a economizar no dia a dia.

Segundo o estudo “Power of Frozen in Retail”, divulgado pelo American Frozen Food Institute e pela FMI — Food Industry Association, as vendas de alimentos congelados nos Estados Unidos alcançaram US$ 87 bilhões nas 52 semanas encerradas em setembro de 2025. O valor representa um crescimento superior a 45% em relação a 2019, considerando tanto a inflação quanto o aumento do volume comercializado.

Entre os segmentos que mais avançaram, destacam-se as carnes e aves processadas congeladas, cujas vendas mais que dobraram e chegaram a US$ 8 bilhões. Já os salgados congelados registraram expansão de quase 70%, alcançando US$ 4,4 bilhões.

O levantamento indica também mudanças no comportamento dos consumidores. Hoje, mais de três quartos dos entrevistados afirmam combinar alimentos congelados e ingredientes frescos na mesma refeição, mostrando que os congelados deixaram de ser vistos apenas como uma alternativa emergencial e passaram a integrar o planejamento das refeições.

Economia doméstica e praticidade

O crescimento da categoria está ligado ao contexto econômico recente. Com a pressão no orçamento, muitos consumidores passaram a cozinhar mais em casa, planejar melhor as refeições e buscar formas de reduzir o desperdício — fatores que favorecem os alimentos congelados.

A pesquisa foi conduzida pela 210 Analytics, com 1.560 consumidores que compram congelados várias vezes ao ano, utilizando dados de vendas da Circana.

O estudo mostra ainda que quase um terço dos participantes pretende aumentar a compra de congelados no próximo ano. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por produtos com ingredientes mais naturais, minimamente processados, ricos em proteína e livres de componentes artificiais — preferência apontada por cerca de 40% dos entrevistados.

Outro dado curioso: a percepção de qualidade também evoluiu. 15% dos consumidores afirmam acreditar que os congelados podem ter qualidade superior à dos alimentos frescos, um aumento de três pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.

Mudanças nos canais de venda

O relatório aponta ainda transformações no varejo. Supermercados tradicionais perderam participação na categoria, enquanto grandes varejistas e clubes de atacado ampliaram sua presença. Hoje, esses dois formatos já concentram juntos uma fatia semelhante dos gastos com congelados.

As lojas de atacado registraram crescimento de mais de 25% nas vendas de congelados em comparação com 2019, enquanto os grandes varejistas avançaram quase 14% no mesmo período. Já os supermercados tradicionais tiveram queda significativa de participação.

O e-commerce também segue ganhando força: quase 90% dos consumidores online disseram ter comprado alimentos congelados por canais digitais nos últimos seis meses — índice superior aos 86% registrados em 2023 e 82% em 2020. Nesse movimento, a entrega em domicílio ganha espaço, enquanto a retirada na loja perde relevância.

Oportunidades para o varejo

Diante desse cenário, o relatório sugere que os varejistas reforcem estratégias de exposição e comunicação nas áreas de congelados, utilizando sinalização clara, layouts atrativos e merchandising temático para estimular as compras.

Outra recomendação é aproximar os alimentos congelados dos frescos dentro das lojas, seja com expositores próximos ou com comunicação visual que destaque atributos como “ultracongelado” ou “do campo direto para o freezer”.

Há também espaço para melhorias operacionais: mais de um quarto dos consumidores afirma que a disponibilidade de produtos no freezer é inconsistente, e quase 20% dizem ter dificuldade frequente para encontrar o que procuram.

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