As empresas de alimentos nos Estados Unidos agora podem certificar seus produtos como livres de ingredientes ultraprocessados, graças ao lançamento do programa Non-UPF, o primeiro selo do país voltado a destacar alimentos com processamento mínimo e sem aditivos artificiais.
Criado pela organização sem fins lucrativos Food Integrity Collective, o programa foi expandido oficialmente no final de 2024 e tem como objetivo ajudar consumidores a identificar produtos mais naturais e transparentes.
“Nosso objetivo é ajudar os americanos a desvendar a confusão em torno da rotulagem de alimentos e oferecer orientações claras para escolhas mais saudáveis”, afirma Melissa Halas, fundadora do Non-UPF.
Segundo pesquisa realizada pela entidade, sete em cada dez consumidores afirmam tentar evitar alimentos ultraprocessados, mas apenas 37% dizem entender bem o que essa categoria significa. O novo selo pretende preencher essa lacuna, fornecendo um padrão confiável de certificação para marcas comprometidas com a redução do ultraprocessamento no mercado.
Como funciona o selo Non-UPF
O programa utiliza o Sistema de Classificação NOVA, criado por pesquisadores brasileiros, que categoriza os alimentos de acordo com o grau de processamento — desde in natura até ultraprocessados. O foco do Non-UPF é certificar produtos sem aditivos artificiais, corantes, conservantes e ingredientes que não existam na culinária tradicional.
Outras organizações também estudam lançar certificações semelhantes, como o selo “Verificado pela UPF”, desenvolvido pelo projeto Non-GMO, que já está em fase de testes.
Debate sobre o conceito de ultraprocessados
Apesar do crescente interesse do público, ainda não há consenso entre cientistas e órgãos reguladores sobre o que caracteriza exatamente um alimento ultraprocessado. A FDA iniciou discussões para definir parâmetros oficiais, enquanto o estado da Califórnia foi o primeiro a adotar uma definição própria, proibindo alimentos ultraprocessados nas escolas públicas.
Críticos do programa afirmam que o termo pode gerar mais confusão, já que alguns produtos considerados ultraprocessados — como iogurtes e barras de proteína — ainda oferecem benefícios nutricionais.
Mesmo com a controvérsia, o selo Non-UPF sinaliza uma mudança cultural: consumidores estão cada vez mais exigindo transparência, qualidade e naturalidade naquilo que colocam no prato — e as marcas precisam se adaptar para continuar relevantes.
Fonte: fooddive







