A PepsiCo iniciou dezembro com uma novidade curiosa no mercado norte-americano: versões de Doritos e Cheetos sem corantes artificiais, reunidas na linha Simply NKD. Os produtos chegam às prateleiras mantendo o sabor clássico, mas abrindo mão das cores vibrantes que marcaram gerações de consumidores.
No novo formato, Flamin’ Hot Cheetos passa de vermelho intenso para um tom amarelo claro, deixando um pó branco nos dedos. Já Doritos Nacho Cheese ganha aparência de um simples chip de milho, sem o tradicional laranja.
Por que a mudança agora?
Segundo Rachel Ferdinando, CEO da PepsiCo Foods US, a decisão não partiu de pesquisas com consumidores, nem de análises tradicionais de tendência. A empresa desenvolveu as novas versões em cerca de oito semanas, testando o sabor com degustadores em salas iluminadas por luz vermelha — estratégia para impedir que a cor influenciasse a percepção.
Mesmo assim, a movimentação ocorre em um momento de pressão crescente sobre grandes marcas de alimentos. O secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., e o movimento “Make America Healthy Again” vêm pedindo substituições de corantes sintéticos por alternativas naturais.
A PepsiCo já oferecia uma linha Simply com fórmulas mais limpas, mas que não replicavam fielmente o sabor original. A proposta da NKD é justamente essa: entregar a experiência tradicional, sem os aditivos visuais.
Pressões do mercado
Além das discussões sobre ingredientes, a companhia enfrenta críticas de investidores. O fundo ativista Elliott Investment Management, que adquiriu uma participação de US$ 4 bilhões na empresa, tem solicitado uma revisão do portfólio de snacks.
No último trimestre, a divisão de alimentos na América do Norte registrou queda de 4% em volume. As ações da PepsiCo acumulam recuo anual de 5%, enquanto o S&P 500 subiu 16% no mesmo período.
O desafio da cor
Alterações visuais em alimentos costumam gerar reações fortes. Experimentos anteriores mostram que estética importa — e muito — na percepção de sabor e frescor.
A Crystal Pepsi, refrigerante transparente lançado nos anos 1990, foi descontinuada rapidamente. Em 2017, a General Mills recolocou corantes artificiais no cereal Trix após consumidores rejeitarem a versão natural.
Para especialistas, a mudança é sensível. “A cor molda como consumidores percebem comida antes de comê-la”, explica Renee Leber, cientista de alimentos do Institute of Food Technologists. Ajustar o visual sem mexer no sabor pode alterar expectativas.
Uma campanha que abraça o “nu”
Para comunicar a novidade, a GUT Miami criou a campanha “The Renaissance of Snacking”, que apresenta os snacks “despidos” como se fossem obras renascentistas. O filme de 30 segundos brinca com a ideia de simplicidade e naturalidade, tratando o “pelado” como um novo capítulo cultural no universo dos snacks.







