Fabricantes de doces e bebidas açucaradas nos Estados Unidos estão se preparando para reagir às novas restrições impostas ao SNAP (Programa de Assistência Nutricional Suplementar), que vêm limitando a compra de determinados produtos com benefícios de assistência alimentar.
Até o momento, 18 estados receberam autorização do governo federal para proibir a aquisição de itens como refrigerantes e outras bebidas adoçadas com recursos do programa. Em alguns casos, as restrições também incluem doces e sobremesas prontas. O movimento acende um alerta na indústria de alimentos e bebidas, que avalia possíveis impactos no consumo e no faturamento.
O SNAP representa cerca de 12% dos gastos totais em supermercados nos EUA, segundo a National Grocers Association. Dados da NielsenIQ indicam que quase um terço dos beneficiários afirmou que reduziria as compras de alimentos caso houvesse cortes nos benefícios — o que amplia a preocupação do varejo e da indústria.
Diante do cenário, empresas como Hershey e Keurig Dr Pepper acompanham de perto a implementação das medidas. Oito estados já colocaram as restrições em prática, e os demais devem avançar ainda este ano.
A Hershey afirma estar trabalhando em parceria com varejistas para entender como as novas regras estão sendo aplicadas nas lojas — especialmente porque a definição de “doces” e “refrigerantes” pode variar entre os estados, gerando dúvidas operacionais. Segundo o CFO Steven Voskuil, a companhia busca antecipar diferentes desdobramentos e avaliar como seu portfólio pode se adaptar ao novo contexto.
Já a Keurig Dr Pepper relata “sinais mistos” nos estados onde as restrições já entraram em vigor. Para o CEO Timothy Cofer, o consumo de refrigerantes pode se manter relativamente estável, uma vez que beneficiários do SNAP costumam complementar as compras com recursos próprios. Na prática, haveria uma realocação de orçamento — o que ele descreve como um movimento de “bolso esquerdo, bolso direito”.
Ainda assim, a maior preocupação da companhia está em possíveis mudanças estruturais no programa, como novas exigências de trabalho ou critérios de cidadania que possam reduzir o número de beneficiários. Caso isso ocorra, o impacto sobre o varejo alimentar tende a ser mais significativo.
Para o foodservice e o varejo, o avanço dessas restrições reforça uma tendência que já vinha ganhando força: o debate sobre o papel dos programas públicos na indução de hábitos de consumo mais saudáveis — e os efeitos disso sobre categorias tradicionais de alto giro.
A discussão também dialoga com movimentos mais amplos do setor, como a reformulação de portfólios, a pressão regulatória sobre alimentos ultraprocessados e o avanço de produtos com apelo funcional ou saudável — temas acompanhados de perto pelo Portal Foodbiz.







