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Sparkling tea ganha espaço como nova fronteira das bebidas sem álcool

O mercado de bebidas sem álcool entra em uma nova fase com a ascensão do sparkling tea, o chá espumante produzido a partir de folhas de chá e elaborado com processos inspirados na produção de espumantes. A categoria avança impulsionada por mudanças estruturais no comportamento do consumidor e pela busca por alternativas adultas, sofisticadas e sem álcool.

Os dados confirmam o movimento. Em 2025, 64% dos brasileiros adultos declararam não consumir bebidas alcoólicas, um crescimento de dez pontos percentuais em relação a dois anos antes, segundo pesquisa Ipsos-Ipec. Entre jovens de 18 a 24 anos, a mudança é ainda mais evidente: o índice saltou de 46% para 64% no mesmo período.

Na Europa, o sparkling tea já se consolida como um segmento relevante. Em 2024, o mercado movimentou US$ 199,4 milhões, com projeção de alcançar US$ 357,4 milhões até 2033, de acordo com a consultoria Deep Market Insights. No Brasil, o estágio ainda é inicial, mas a curva é ascendente: a estimativa é que o segmento alcance US$ 24,9 milhões em 2033, praticamente dobrando de tamanho em menos de uma década.

Por aqui, o desenvolvimento do produto tem exigido precisão técnica e tempo de maturação. A marca brasileira Shantori é um exemplo desse processo. Para chegar à formulação final, a fundadora Gabriela Lacerda passou mais de um ano testando receitas, inicialmente em ambientes informais, como jantares entre amigos, onde a bebida começou a substituir o vinho à mesa.

Com a entrada de Tânia Ramp como cofundadora, os testes se aprofundaram. Segundo ela, o desafio técnico está na própria matéria-prima. “O chá branco é extremamente sensível à oxidação. Qualquer variação interfere diretamente no sabor”, explica.

Diferente de bebidas como kombucha ou chás gaseificados, o sparkling tea não passa por fermentação em garrafa nem recebe gás de forma artificial. No caso da Shantori, o processo busca reproduzir técnicas usadas na vinificação, aplicadas às folhas de chá, criando a sensação de efervescência sem recorrer aos métodos tradicionais do segmento.

A inspiração veio de referências internacionais, como a dinamarquesa Copenhagen Sparkling Tea Company, que já atua com versões sem álcool e de baixo teor alcoólico. A primeira coleção da marca brasileira, In honor of Antonia, combina chá branco da província chinesa de Fujian com rosas brancas e laranja. Outros dois rótulos — In honor of Hilaria e In honor of Francisca — estão previstos para o primeiro semestre de 2026.

A estratégia da Shantori é clara: consolidar o mercado nacional antes de avançar internacionalmente. O movimento reflete uma tendência mais ampla do setor de bebidas, que começa a tratar o consumo sem álcool não como substituição, mas como categoria própria, com linguagem, ritual e posicionamento próprios.

Fonte: estadão

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