Líderes da indústria de alimentos nos Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o governo Trump para evitar que novas tarifas incidam sobre produtos essenciais como pepinos, peixes e outros itens de alto consumo. O argumento central é simples: grande parte desses alimentos não é cultivada ou produzida em escala suficiente no território norte-americano, o que torna inevitável a dependência de importações.
Dependência de importações e impacto nos frutos do mar
Segundo Gavin Gibbons, diretor do Instituto Nacional de Pesca, 85% dos frutos do mar consumidos no país vêm do exterior. A pesca local já está no limite legal de captura e a expansão da aquicultura enfrenta barreiras regulatórias. Isso significa que tarifas adicionais sobre camarão, salmão e outros produtos importados devem se traduzir diretamente em preços mais altos para consumidores e restaurantes.
A preocupação é especialmente grande no caso do camarão, cuja oferta doméstica é praticamente inexistente. Hoje, 90% do camarão consumido nos EUA é importado, com a Índia respondendo por mais de um terço desse total — país que agora enfrenta uma tarifa de 50%.
Pressão de supermercados e restaurantes
Supermercados, restaurantes e distribuidores alertam que os impactos podem ser rápidos. A Associação Nacional de Restaurantes, por exemplo, enviou uma carta à equipe comercial da Casa Branca destacando que o aumento nos custos dos ingredientes frescos pode afetar diretamente cardápios e margens do setor de foodservice.
Do lado dos supermercados, Andy Harig, da Associação da Indústria de Alimentos, lembra que muitos produtos já são fortemente dependentes de importação. O caso do pepino é emblemático: em 1990, apenas 35% vinham de fora; hoje esse índice chega a 90%. Produzir o ano todo em estufas nos EUA seria um investimento caro, que inevitavelmente elevaria os preços nas gôndolas.
Possíveis saídas em acordos comerciais
Alguns acordos em negociação podem oferecer alívio parcial, abrindo espaço para exceções em produtos tropicais como manga, abacaxi e café. O Brasil, por exemplo, conseguiu negociar isenções em itens como suco de laranja e castanha-do-pará, ainda que o café tenha ficado de fora.
A expectativa é que novas rodadas de negociação definam quais produtos terão tratamento diferenciado. Até lá, a indústria alimentícia americana segue tentando garantir que alimentos essenciais à mesa dos consumidores não fiquem reféns de tarifas que podem distorcer preços e comprometer cadeias inteiras de fornecimento.
Fonte: Cryptopolitan







