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Ajuste da Tyson nos EUA pressiona o setor e favorece players como a JBS

REUTERS/Jose Luis Gonzalez/Arquivo

Em um momento especialmente desafiador para a pecuária bovina nos Estados Unidos — com o rebanho no nível mais baixo em mais de 70 anos e as margens dos frigoríficos pressionadas — a Tyson Foods anunciou um movimento estrutural importante: o fechamento da planta de Lexington, no Nebraska, e a redução da unidade de Amarillo, no Texas, para apenas um turno de produção. É o primeiro grande ajuste deste ciclo de retração.

Localizada próxima à Interestadual 80, em uma das principais regiões produtoras de gado, a planta de Lexington simboliza a relevância desse corte para o setor. Analistas do BTG destacam que a decisão lembra um “dilema do prisioneiro”: a empresa que reduz capacidade absorve o custo imediato, mas o resto da indústria se beneficia da racionalização — algo observado em ciclos anteriores.

A capacidade de abate anual nos EUA é estimada em 35 milhões de cabeças, com utilização de 87%. O movimento da Tyson retira cerca de 2,2 milhões de cabeças dessa conta, elevando a utilização para 93%. A dinâmica regional, porém, é ainda mais relevante. O gado não percorre longas distâncias, o que torna o setor altamente localizado. Nebraska e Texas representam, respectivamente, 22% e 17% dos abates do país. Considerando 80% de utilização nas plantas da Tyson, o fechamento pode reduzir o abate local em 17% (Nebraska) e 13% (Texas), abrindo espaço para concorrentes melhorarem suas margens.

Segundo o BTG, a National Beef, controlada pela Marfrig, deve capturar parte desses ganhos, mas a maior beneficiada tende a ser a JBS, que possui plantas justamente próximas às unidades afetadas da Tyson. Em fevereiro, a empresa já havia anunciado um investimento de US$ 150 milhões em sua planta de Cactus, no Texas, posicionando-se de forma anticíclica para a próxima fase do ciclo do gado.

Para o Bradesco BBI, a medida ajuda a evitar novas quedas nas margens dos frigoríficos, mas ainda não cria condições para uma recuperação mais ampla, já que a oferta de gado segue restrita. A expectativa é que os cortes limitam maiores deteriorações em 2026, mais do que impulsionam uma virada de resultados.

No setor como um todo, os bancos enxergam um ciclo de proteína mais fraco, com poucos catalisadores de curto prazo. Mesmo assim, a JBS se destaca estruturalmente: segue como a única empresa de proteína com recomendação outperform, negociando com desconto em relação aos pares, apesar da diversificação e da forte capacidade de geração de caixa.


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Fonte: Infomoney

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