A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses, mas a tendência é que mudanças na jornada de trabalho avancem principalmente por meio de negociações entre empresas e sindicatos.
Setores como varejo, supermercados, foodservice, hotelaria e serviços essenciais devem continuar buscando modelos adaptados à realidade operacional de cada atividade.
Segundo especialistas ouvidos pela Mercado&Consumo, mesmo com possíveis avanços rumo ao modelo 5×2 — com cinco dias de trabalho e dois de descanso — a escala 6×1 não deixaria de existir automaticamente.
O advogado trabalhista Renam Zupardo explica que jornadas diferenciadas ainda poderiam ser mantidas por meio de acordos coletivos, especialmente em operações contínuas e setores que funcionam todos os dias da semana.
A discussão também já começou a aparecer nas negociações sindicais.
Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), afirmou que o tema será levado para as próximas negociações da categoria dos comerciários, previstas para setembro. A entidade defende uma transição gradual para modelos com maior tempo de descanso.
Ao mesmo tempo, existe preocupação com os impactos financeiros para micro e pequenas empresas, principalmente em segmentos com margens apertadas e necessidade de operação contínua.
Segundo representantes sindicais, uma eventual migração mais ampla para o modelo 5×2 poderia exigir aumento de equipes, reorganização de escalas e custos adicionais para empresas de menor porte.
No foodservice, o tema tende a ganhar relevância especialmente em operações que dependem de jornadas estendidas, funcionamento noturno, finais de semana e alta rotatividade de equipes.
Especialistas apontam que setores essenciais deverão buscar soluções específicas, incluindo escalas de revezamento, negociações coletivas e reorganização operacional para equilibrar descanso, produtividade e viabilidade econômica.
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Fonte: Mercado&Consumo







